DOIS MUNDOS DIFERENTES
Brenda Jackson
Srie Westmoreland n 01

Disponibilizao, traduo e pesquisa: Yuna, Gisa, Rosie e Mare
Reviso: Maria Jos Lins Palhares - Formatao: Mai Leonardelli
Reviso Final: Yuna
Ttulo original: Delaney's Desert Sheik

Delaney Westmoreland no admitiria que um pequeno contratempo a privasse do descanso que tanto necessitava. O que no esperava, era que o arrogante sheik com o qual se viu obrigada a compartilhar suas frias, fosse lhe dar um curso intensivo de sexualidade. Infelizmente, as palavras amor e compromisso no figuravam no manual de um professor to sensual.
A primeira inteno de Jamal Ari Yassir fora instruir Delaney na arte da sensualidade para ele desfrutar, mas nada sara como tinha previsto. Sem perceber, viu-se apanhado em uma paixo irresistvel por sua sexy companheira de frias. Poderia uma amante de vero, ser a mulher com a qual estava destinado a compartilhar o resto de sua vida?


DOIS MUNDOS DIFERENTES
Brenda Jackson

Captulo Um

	Jamal inspirou profundamente para tranqilizar-se e saiu debaixo da mesa. Ficou de p e limpou o suor da fronte; levava uma hora tentando consertar a mesa.
	- Ao fim e ao cabo, sou um sheik, no um servial - disse com frustrao, enquanto arrumava as ferramentas na caixa.
	Jamal fora  cabana para descansar, mas at o momento s conseguira aborrecer-se, e ainda restavam vinte e oito dias pela frente.
	No estava acostumado a no fazer nada, em seu pas, o valor de um homem era medido por seu trabalho dirio. A maioria de seus sditos trabalhava de sol a sol, e no por obrigao, mas porque estavam acostumados a isso pelo bem de Tahran. E embora fosse o filho de um dos sheiks mais importantes do mundo, sempre fora exigido dele que trabalhasse to duro quanto as pessoas que o serviam.
	Durante os trs ltimos meses, representara seu pas em algumas negociaes importantes que incluram  outras naes prximas a Tahran. Quando estas terminaram e todas as partes estavam satisfeitas, sentira a necessidade de escapar para dar um descanso ao seu corpo e sua mente.
	O rudo da porta de um carro fechando-se captou a ateno de Jamal e rapidamente se perguntou quem seria.
	Sabia que no seria Philip, seu companheiro de quarto em Harvard, pois fora ele que lhe emprestara a cabana, j que partira de lua de mel durante duas semanas. Assim intrigado, dirigiu-se para a sala de estar. Ningum tomaria o desvio da auto-estrada a no ser que soubesse da existncia da cabana, que estava a cerca de oito quilmetros adentro do bosque.
	Quando se aproximou da janela para olhar, conteve o flego; sentiu-se hipnotizado, cativado, consumido por uma repentina luxria.
	Uma mulher afro-americana acabava de descer de um carro ltimo modelo e estava inclinada sobre o porta-malas. Somente pde distinguir seu traseiro, mas aquilo foi suficiente.
	Vestia calas curtas que se ajustavam ao traseirinho mais sedutor que j vira, e havia visto muitos ao longo de seus trinta e quatro anos de vida, mas nunca um to bem definido e proporcionado. Sem grande esforo imaginou aquele traseiro apertado contra seu ventre enquanto dormiam, e um sorriso se desenhou em seus lbios. Quem seria capaz de "dormir" tendo um corpo como aquele ao seu lado?
	Jamal desviou o olhar para as coxas da mulher; eram bem formadas, firmes e estavam perfeitamente definidas.
	Por um instante, ficou parado no lugar enquanto a observava da janela. Mas quando ela tirou duas malas do carro, rapidamente franziu o cenho, mas pensou que se preocuparia com as implicaes da bagagem mais tarde. No momento, queria ver o resto daquela mulher.
	Assim que aquele pensamento cruzou pela sua cabea, a mulher fechou o porta-malas e deu a volta. Em apenas alguns segundos, Jamal sentiu que uma onda de calor varria seu corpo; aquela mulher era incrivelmente bonita. Maravilhosa.
	Enquanto ela se arrumava com a bagagem, ele a percorreu com o olhar: os cabelo castanhos escuros e encaracolados, emolduravam um rosto cor de mel e caam at seus ombros, dando a ela um aspecto atrevidamente sedutor. Tinha um queixo pequeno e redondo, e uma boca deliciosamente desenhada. A contra-gosto apartou o olhar de sua boca e o deslizou pelo pescoo para seus seios redondos e erguidos, para depois continuar at suas fabulosas pernas. Era a seduo personificada.
	Jamal moveu a cabea ao sentir um profunda tristeza: sem dvida aquela mulher se equivocou de cabana, assim, pensou que j havia visto o suficiente e que seus hormnios no suportariam muito mais, separou-se da janela e se dirigiu  entrada da cabana. Enquanto abria a porta e saa na varanda, sentiu a tentao de lhe perguntar se poderia fazer amor com ela algumas vezes antes que partisse.
	-Posso ajud-la?- perguntou finalmente, embora com a voz carregada de inteno.
	Delaney Westmoreland levantou a cabea sobressaltada e seu corao comeou a pulsar com rapidez ao ver o homem que estava de p na varanda, apoiado contra o marco da porta.
	E que homem grande!	
	Se pudesse descrever algum homem como bonito, seria ele. A luz do entardecer ressaltava o profundo bronzeado de sua pele, dando um verdadeiro significado  descrio de alto, moreno e atraente.
	Delaney no tinha muita experincia com os homens, mas tampouco era to inocente para  no perceber que era um homem dos mais sedutores e que qualquer mulher cairia rendida a seus ps.
	Era alto, facilmente media um metro e oitenta de altura, usava cala de marca comprada na Europa e uma camisa de corte elegante, Delaney pensou que sua roupa estava completamente fora de lugar naquele ambiente, coisa que no a incomodava em nada. 
	Tinha os cabelos negros, curtos e lisos, e o olhar de seus escuros e penetrantes olhos parecia alerta e inteligente.
	Ambos se olharam fixamente.
	Delaney piscou algumas vezes para assegurar-se de que no estava sonhando.
	- Quem  voc?-perguntou ela finalmente.
	- Acredito que sou eu que deveria fazer essa pergunta - disse ele depois de alguns instantes de silncio.
	Jamal se separou da porta e desceu da varanda. Enquanto se aproximava, Delaney conteve a respirao, embora procurasse no demonstrar, assim manteve o olhar fixo nele. Afinal era um estranho e os dois estavam sozinhos no meio do bosque, no havia nada pior que se aproveitar de uma oportunidade to tentadora e decidiu ser cautelosa.
	- Sou Delaney Westmoreland, e voc est invadindo uma propriedade particular.
	O homem se deteve diante dela e quando Delaney levantou a cabea para olh-lo, sentiu uma sensao clida e agradvel em seu interior; de perto era ainda mais bonito.
	- E eu sou Jamal Ari Yasir. Esta cabana pertence a um bom amigo meu, assim acredito que  voc que est invadindo propriedade privada.
	Delaney estreitou os olhos, perguntando-se se realmente era amigo de Reggie como afirmava. Seu primo se esquecera que emprestara a cabana  ele quando ofereceu a ela? 
	- Como se chama seu amigo?
	- Philip Dunbar.
	- Philip Dunbar? -perguntou ela, falando em um tom baixo e sedutor.
	- Sim. Conhece ele?
	- Sim. Philip  meu primo. Reggie e ele foram scios durante um tempo. Foi Reggie que me ofereceu a cabana. Tinha me esquecido que Philip e ele so co-proprietrios.
	- Esteve aqui alguma vez?
	- Sim, uma, E voc?
	Jamal moveu a cabea e sorriu.
	-  a primeira vez que venho.
	Aquele sorriso fez Delaney conter a respirao. Viu que seus olhos estavam outra vez fixos nela, observando-a, e no gostava de ser o objeto daquele penetrante olhar.
	- Por que est me observando dessa maneira? -perguntou Delaney.
	- No tinha percebido que a observava -disse ele arqueando uma sobrancelha.
	- Pois est -replicou ela, entrecerrando os olhos-, De onde ? No parece daqui.
	Jamal sorriu.
	- No. Sou do Oriente Mdio, de um pequeno pas chamado Taran. J ouviu falar dele?
	- No. Mas nunca fui boa em geografia. Fala nosso idioma muito bem para um estrangeiro.
	Jamal deu de ombros.
	- Aprendi ingls desde pequeno e depois fui  universidade Harvard.
	- Licenciou-se em Harvard?
	- Sim.
	- Com o que voc trabalha? -inquiriu ela, perguntando-se se possivelmente trabalhava para o governo federal.
	Jamal cruzou os braos sobre o peito e pensou que as mulheres do ocidente faziam muitas perguntas.
	- Ajudo meu pai a cuidar do meu povo.
	- Seu povo?
	- Sim, Sou o sheik, prncipe de Taran. Meu pai  o Emir.
	Delaney sabia que Emir era outra forma de referir-se a um rei.
	- Se  o filho de um rei, o que est fazendo aqui? Embora seja um lugar bonito, suponho que pode se permitir ter algo melhor.
	Jamal franziu o cenho.
	- Sim posso, mas Philip me ofereceu a cabana como smbolo de amizade. Teria sido de m educao no aceitar. Alm disso, ele sabia que eu queria ficar sozinho durante um tempo; assim que a imprensa souber que estou em seu pas, no me deixaro em paz. Pensou que um ms aqui me viria bem.
	- Um ms? -perguntou ela incrdula.
	- Sim. Quanto tempo voc planejava ficar?
	- Um ms -disse Delaney e ele arqueou uma sobrancelha.
	- Pois ns dois sabemos que no podemos ficar aqui juntos, assim ficarei encantado em ajud-la a guardar suas malas de novo no carro.
	Delaney ps os braos em sua cintura.
	- E por que tem de ser eu que deve partir?
	- Porque eu cheguei primeiro.
	Embora tivesse razo, Delaney no quis admitir.
	- Mas voc pode se permitir ir  outra parte e eu no. Reggie me ofereceu a cabana durante um ms como presente de graduao.
	- Presente de graduao?
	- Sim, Licenciei-me em Medicina na sexta-feira passada. Depois de passar oito anos estudando sem parar, pensou que deveria descansar durante um ms.
	- Estou seguro disso.
	Delaney suspirou ao perceber que no seria to fcil persuadi-lo  partir.
	- H uma forma democrtica de solucionar isto.
	- Verdade?
	- Sim. Jogaremos a sorte. Como prefere?
	Aquilo fez Jamal sorrir involuntariamente.
	- De nenhuma forma. Sugiro que me deixe ajud-la a guardar a bagagem no carro.
	Delaney inspirou profundamente. Estava furiosa. Como se atrevia a lhe dizer o que tinha que fazer?
	Delaney tinha cinco irmos mais velhos e desde muito pequena aprendera a defender-se dos homens. Faria com aquele homem, o mesmo que fazia com seus irmos:  base da teimosia.
	Assim ps as mos na cintura e o olhou diretamente nos olhos.
	- No vou partir. 
	Jamal no pareceu afetado por aquele comentrio.
	- Sim, partir.
	- No o farei.
	Naquele momento, as feies de Jamal se endureceram.
	- Em meu pas, as mulheres fazem o que lhes ordenam.
	Delaney o olhou furiosa.
	- Pois bem-vindo a Amrica, "majestade". Neste pas as mulheres tm direito de expressar sua opinio, e inclusive podem dizer a um homem aonde pode ir.
	- Aonde ir? -perguntou Jamal arqueando uma sobrancelha.
	- Sim. Como, " v plantar batatas".
	Jamal no pde evitar de rir; Delaney Westmoreland era, sem dvida, uma mulher muito atrevida.
	Aprendera que as mulheres ocidentais no duvidavam em dizer se algo as incomodasse. Em seu pas, as mulheres aprendiam desde pequenas, a no mostrarem suas emoes.
	Jamal pensou em utilizar outra aproximao, uma que no ferisse sua inteligncia.
	- Seja razovel - disse ele.
	Ela o olhou irritada e Jamal soube que aquilo tampouco teria resultado.
	- Sou razovel. Nestes momentos uma cabana junto a um lago, durante um ms e de maneira gratuita  mais que razovel.  um sonho feito realidade. Voc no  o nico que precisa ficar sozinho durante um tempo.
	Delaney pensou em sua famlia. Ao terminar a universidade, tinham certeza de que estava qualificada para diagnosticar todas as suas doenas e no conseguiria descansar se soubessem onde se encontrava. Em caso de emergncia, seus pais sabiam como entrar em contato com ela, e aquilo era suficiente. Delaney amava sua famlia, mas merecia um descanso.
	- Por que quer ficar sozinha?
	-  algo pessoal -disse ela franzindo o cenho.
	Jamal se perguntou se ela estaria se escondendo de um amante ciumento, ou de um marido inclusive. No usava aliana de casada, mas sabia por experincia que algumas mulheres americanas tiravam a aliana quando lhes conviessem.
	-  casada?
	- No. E voc? -perguntou ela com irritao.
	- Ainda no -murmurou ele-. Esperam que me case antes do meu prximo aniversrio.
	- Me alegro por voc. Agora seja um prncipe amvel e me ajude a levar minha bagagem para a cabana. Se no me engano, h trs quartos e cada um tem seu prprio banheiro, assim h espao suficiente para ambos. Tenho inteno de dormir muito, assim haver dias que nem sequer me ver.
	Jamal a olhou fixamente.
	- E o que acontecer nos dias em que a verei?
	Delaney deu de ombros.
	- Aja como se no estivesse. De todos os modos, se for muito difcil para voc e sentir que no est lhe agradando, entenderei que queira partir  - disse ela e olhou ao seu redor-. Onde est seu carro?
	Jamal suspirou e se perguntou como conseguiria faz-la partir.
	- Est com meu secretrio -respondeu secamente-. Est hospedado em um hotel a poucos quilmetros daqui. Preferiu estar perto de mim se por acaso eu precisar de algo.
	Delaney arqueou uma sobrancelha ironicamente.
	- Deve ser muito agradvel ser tratado como um rei.
	Jamal ignorou a frieza de seu tom de voz.
	- Tem suas vantagens. Asalum est comigo desde o dia em que nasci.
	Delaney no pde evitar de escutar o profundo carinho do seu tom de voz.
	- Como disse, deve ser agradvel.
	- Est segura de que quer ficar ? -perguntou ele.
	Seu tom de voz tinha uma nota ligeiramente desafiadora e manteve o olhar de Delaney com seus escuros olhos.
	Ao escutar aquela voz profunda e sedutora, Delaney duvidou. No estava segura, mas tambm no estava preparada para ir embora, ao menos depois de  dirigir por sete horas para chegar at ali. Talvez depois de uma ducha e uma boa dormida mudaria de opinio. 
	Encontrou-se com o olhar de Jamal e tremeu diante sua intensidade. Um calafrio de desejo a sacudiu, como quando o viu pela primeira vez, de p na varanda.
	Delaney tinha vinte e cinco anos e era o suficientemente amadurecida para reconhecer a existncia de hormnios hiperativos. Mas tambm era o suficientemente amadurecida para control-los e no ceder  tentao. A ltima coisa que queria era ter uma aventura com um prncipe machista e esperava que ele tampouco quisesse, assim manteve seu olhar e levantou o queixo em um gesto desafiante.
	- Fico.

	Aquela mulher era cabea-dura, pensou Jamal. Estava apoiado no marco da porta da cozinha observando Delaney enquanto ela colocava a comida que levara consigo.
	- Obrigada por trazer minha bagagem e as caixas -disse ela, virando-se quando terminou de colocar tudo.
	Jamal assentiu. Ao olh-la, voltou a sentir que o desejo esticava seu corpo e soube que ela notara sua reao.
	Delaney umedeceu os lbios nervosamente enquanto tirava os olhos dele. Ficou bvio que ela tambm estava consciente da crescente atrao sexual entre eles. 
	- Se comea a ter dvidas a respeito de ficar... 
	- Esquea... - interrompeu ela, com a irritao refletida nos olhos. 
	- Pois ento recorde de que foi deciso sua... - disse ele tranqilamente. 
	- Farei isso. - contestou Delaney e se aproximou dele.- e sugiro que no tente fazer nada para me enganar e me fazer partir. Irei embora quando estiver preparada para isso, e no antes. 
	Jamal pensou que quanto mais se irritava mais bonita ela ficava. 	
	- Sou um cavalheiro e nunca me ocorreria  comportar-me de tal maneira.
	- Bem. Vou acreditar em sua palavra -disse ela, deu meia volta e partiu.
	Jamal observou o rebolado de seus quadris at que a perdeu de vista; seu nariz se alagou com o aroma feminino que ela deixara por onde passara e o sulto primitivo que havia nele proferiu um inaudvel grunhido.
	Uma coisa era certa, pensou Jamal, no voltaria a se aborrecer.

	Uma vez em seu quarto, Delaney suspirou e passou uma mo pelos cabelos, enquanto se apoiava contra a porta. Sentiu que uma onda de calor percorria todo o seu corpo, e fora provocada pelo intenso e faminto olhar de Jamal.
	No que havia se metido?
	S a idia de compartilhar a cabana com um homem que no conhecia era ridcula. A nica coisa a justificava era que, enquanto ele estivera tirando as caixas de seu carro, ela telefonara para Reggie do seu celular.
	Reggie e ela nasceram no mesmo ano e tinham estabelecido uma estreita relao. Ao longo dos anos, Reggie se tornara algo mais que seu primo, era seu melhor amigo. Sempre guardara os segredos de Delaney e ela os dele. 
	Depois de desculpar-se pelo mal-entendido, Reggie lhe assegurara que Jamal era quem dizia ser; ele mesmo o conheceu h alguns anos antes, atravs de Philip. Tambm a advertira que Jamal no tolerava facilmente s mulheres ocidentais e Delaney lhe  assegurara que no se importava com o mnimo nvel de tolerncia de Jamal e que no tinha inteno de permitir que o prncipe lhe dissesse se podia ficar ou no. Merecia aqueles trinta dias de descanso e desfrutaria de suas frias, ocorresse o que ocorresse.
	Delaney cruzou o quarto e se sentou em uma cadeira reclinvel. Jogou uma olhada em sua bagagem e pensou que estava muito cansada para desfaz-la; colocar a comida que levara consigo, lhe esgotara, j que Jamal estivera observando-a durante todo o processo. Embora no tenha falado, Delaney sentiu seu olhar como se fosse uma carcia; de fato, o surpreendera  observando-a fixamente algumas vezes.
	Sabia que a sua inteno fora deix-la nervosa, mas no que se referia  ela, ficava bastante difcil.
	Os irmos Westmoreland, Der, Thorn, Stone, Chase e Storm, fariam com que o tratamento com Jamal fosse "po comido", ou seja, estaria no papo! Sentiu que se esquentava ao pensar que Jamal seria provavelmente to delicioso quanto um po recm assado. Delicioso.
	Ele lhe provocara a reao fsica e a atrao mais intensa que sentira por um homem.
	Moveu a cabea e pensou que seria melhor tomar uma ducha fria e afastar a tentao.
	Embora seu corpo estivesse louco, o que precisava era dormir, no de um homem.


Captulo Dois

	Delaney se deteve junto  porta da cozinha e observou as pernas masculinas que se sobressaam debaixo da mesa.
	"So bonitas", disse intimamente ao ver a firmeza de suas coxas, embainhadas nas calas jeans justas.
	Apesar de ter chegado h quatro dias, aquela era a terceira vez que via Jamal, j que tal e como lhe dissera no primeiro dia, sua inteno era dormir tanto quanto pudesse. Alm de se levantar ocasionalmente para comer algo, Delaney permanecera em seu quarto dormindo.
	Exceto na ocasio em que a despertara, fazendo um rudo insuportvel bem debaixo de seu quarto; Delaney se levantara da cama para ver que o estava ocorrendo e da janela o viu praticando algum tipo de arte marcial. Usava uma blusa e uma bermuda justa, acetinada. Delaney observara-o fascinada enquanto ele fazia uma srie de exerccios: admirou sua vitalidade, disciplina, fora e o seu corpo, que se mostrava virilmente forte. Ficou parada junto  janela durante um longo tempo sem que ele percebesse sua presena. Finalmente percebeu que se no deixasse de olh-lo, acabaria com uma sobrecarga de desejo em seu corpo, e voltou para a cama.
	- Maldita seja!
	A exclamao de Jamal captou sua ateno e a devolveu ao presente. No pde evitar de sorrir, pois por mais que dominasse o idioma, uma maldio dita por ele no soava igual quela dita por uma pessoa nativa.
	Delaney se aproximou da mesa e olhou para baixo.
	- Precisa de ajuda? -ofereceu ela.
	Em um primeiro momento, Jamal ficou quieto, obviamente surpreso por sua presena.
	- No. Posso me arrumar - respondeu  ele secamente.
	- Tem certeza?
	- Sim! -espetou ele.
	- De acordo -replicou ela.
	Delaney deu a volta e se dirigiu para o armrio da cozinha e tirou uma tigela para os cereais. No percebeu que ele tinha sado debaixo da mesa e j estava de p.
	- O que a fez levantar-se esta manh? -perguntou Jamal, enquanto arrumava as ferramentas na caixa.
	- Tenho fome.
	Delaney jogou cereais e leite na tigela e ao ver que a mesa da cozinha no estava disponvel pegou uma colher e partiu para varanda.
	Embora ainda fosse cedo, j fazia calor. Delaney sabia que a temperatura aumentaria com o passar do dia; felizmente, a cabana tinha ar condicionado. Os veres da Carolina do Norte eram to quentes que dava vontade de andar nua durante o dia. Enquanto se sentava nas escadas da varanda, suspirou. Com Jamal na mesma cabana, andar nua no era uma opo.
	Logo que comeara a tomar o caf da manh, a porta da cabana se abriu e todos seus instintos ficaram alerta ao saber que Jamal estava atrs dela, a uma pequena distncia. Com o canto do olho, viu que ele se apoiava sobre o corrimo da varanda, com uma xcara de caf na mo.
	- J se deu por vencido como servial, "majestade"? -perguntou ela, sarcasticamente.
	Jamal pensou que no se deixaria intimidar pelo seu tom de voz.
	- Por agora sim, mas tenho a inteno de arrumar a mesa antes de partir. No quero deixar nada quebrado.
	Delaney o olhou de esguelha e em seguida desejou no ter olhado. Parecia que seu moreno e surpreendente rosto brilhava sob a luz do sol, e se quatro dias antes, ela pensara que sua beleza era nica e sua roupa era imprpria, aquela manh Jamal dera a volta por cima por completo. Sem camisa, sem se barbear e com os jeans, tinha um aspecto selvagem. J no parecia um lobo com pele de cordeiro. Parecia um verdadeiro lobo, selvagem e em busca da presa. Se lhe desse a oportunidade, pensou Delaney, provavelmente a comeria viva e depois se lamberia.
	No havia nada em seu aspecto que aparentasse sua realeza ou que era um prncipe ou um sheik. Em vez disso, o que viu foi um homem atraente, com um corpo musculoso que emanava autntica virilidade.
	Jamal bebeu seu caf e Delaney aproveitou para continuar observando-o sem que ele percebesse. Como estava de p, podia v-lo de frente: as calas jeans eram justas e pareciam feitas sob medida, coisa que era provvel j que podia se permitir ter um alfaiate particular. Pensou que embora no o visse praticando kickboxing, era bvio que se mantinha em forma, j que seus ombros eram largos e musculosos, e tinha uma cintura esbelta e os quadris estreitos.
	Delaney se imaginou tirando suas calas e rodeando sua cintura com as pernas, acariciando seu peito nu com a mo; desejava comprovar por si mesma se os msculos dele eram to duros como pareciam. De repente, seu corao se acelerou; no podia acreditar que estivesse pensando aquelas coisas, realmente comeava a perder os papis. Nunca acontecera nada igual. De fato, no podia pensar em um s homem que a fizera sentir tanto... desejo.
	No querendo continuar pensando em sua vida sexual, ou na ausncia dela, tentou recordar a pergunta que pretendera fazer a Jamal alguns minutos antes.
	- O que est acontecendo com a mesa?
	Jamal levantou a cabea e a olhou como se fosse tola.
	- Est quebrada.
	Delaney o olhou furiosa.
	- Isso  bvio. Mas o que est acontecendo? Jamal encolheu os ombros.
	- No sei. Est balanando.
	- Isso  tudo?
	- As mesas no devem balanar, Delaney.
	"E eu no deveria me excitar pela forma que disse meu nome", disse para si mesma, e voltou sua ateno de novo para o caf da manh. Aquela fora a primeira vez que a chamara por seu nome e seu corpo reagira intensamente ante seu tom de voz, profundo e rouco. 
	Delaney manteve o olhar fixo nos cereais que estava comendo. A ltima coisa que precisava, era uma complicao em sua vida, um romance com Jamal certamente seria uma grande complicao. No duvidava que era um professor na arte da seduo, mas ela era suficientemente inteligente para perceber que ele estava totalmente fora de seu alcance.
	Sentiu-se satisfeita por ter, ainda, o controle de suas emoes e sorriu para si mesma enquanto terminava de tomar o caf da manh.
	Jamal suspirou e tentou controlar o desejo que percorria seu corpo. Durante o tempo que duraram as negociaes nas quais intervira representando seu pas, manteve-se celibatrio, esquecendo-se de seu corpo para liberar sua mente e conseguir se concentrar. Mas as negociaes tinham terminado e seu corpo estava recordando-o que tinha algumas necessidades.
	Repreendeu-se por aquela amostra de debilidade e tentou ignorar as necessidades sexuais que o dominavam. Se tivesse retornado para a casa depois do casamento de Philip, em vez de aceitar a oferta de seu amigo, no estaria passando por aquela tortura.
	Em Tahran, no tinha nenhum problema para ter relaes com mulheres. Algumas pensavam que era um privilgio, alm de uma honra, satisfazer as necessidades de seu prncipe. Alm disso, sempre tivera Najeen, a mulher que fora sua amante durante os ltimos trs anos. Era uma mulher que estava dedicada somente  satisfaz-lo. E o fazia muito bem.
	Mas nunca ansiara o corpo de uma mulher at aquele momento.
	- Me fale de sua terra, Jamal.
	Jamal arqueou uma sobrancelha, surpreso pelo pedido de Delaney e desviou o olhar de sua xcara, para ela. Seu rosto, de cor mel, brilhava sob a luz do sol, fazendo-o parecer radiante. No usava maquiagem, por isso sua beleza era natural, impressionante.
	Jamal engoliu a saliva e tentou ignorar de novo a urgente necessidade que sentia, o desejo que o invadia.
	- O que quer saber?
	Delaney deixou a tigela ao lado e se inclinou para trs, apoiando-se sobre as mos enquanto o olhava.
	- O que quiser me contar. Deve ser um lugar muito interessante.
      Jamal riu ao notar a curiosidade em sua voz e desviou o olhar alguns instantes antes de comear a falar.
	- Interessante... -comeou a dizer-,... e muito bonita.
      Delaney no podia saber se ele acabara de se referir a sua terra... ou  ela.
	- Seus pais ainda vivem? -perguntou ela depois que ele descrevera seu pas.
	Jamal bebeu um pouco de caf antes de continuar.
	- Minha me morreu quando eu nasci, e durante muitos anos, meu pai e eu vivemos sozinhos com nossos serventes. Depois, Fatimah entrou em nossas vidas.
	- Quem  Fatimah?
	-  a minha madrasta. Casou-se com meu pai quando eu tinha doze anos.
	Jamal preferiu omitir que o casamento de seus pais fora convencionado por suas respectivas famlias para trazer a paz entre duas naes em guerra. Sua me fora uma princesa afeg de descendncia berbere e seu pai, um prncipe rabe. Entre eles no houvera amor, somente dever, e ele era o nico filho daquela unio. Quando seu pai levou Fatimah para sua casa, suas vidas mudaram. O casamento de seu pai com aquela mulher deveria ser igual ao primeiro, por dever e no por amor. Mas no palcio, todos perceberam desde o primeiro momento, que a bonita egpcia de vinte e dois anos tinha outros planos para seu marido, de quarenta e seis. Ficou bvio que Fatimah fazia mais do que satisfazer as necessidades fsicas e preencher a solido do rei Yasir. Seu rei voltara a sorrir e era feliz. O rei Yasir deixou de solicitar outras mulheres, deixando aquela tarefa exclusivamente para sua esposa. No primeiro ano de seu casamento, tiveram uma filha que chamaram de Arielle, e trs anos mais tarde nasceu Johari, sua segunda filha.
	Jamal adorava a sua madrasta. Durante sua adolescncia, ela intercedera ante seu pai por ele, em temas que, para Jamal, foram de suma importncia.
	- Se do bem?
	A pergunta de Delaney invadiu seus pensamentos.
	- Sim. Fatimah e eu somos muito unidos.
	Delaney o olhou fixamente. Por alguma razo, custava-lhe acreditar que Jamal fosse muito unido a algum.
	- Tem irmos? -perguntou-lhe.
	- Sim. Duas irms, Arielle e Johari. Arielle tem dezenove anos e est casada com o sheik de um pas vizinho. Johari tem dezesseis anos e acaba de terminar seus estudos em Tahran; quer vir  Amrica para complet-los.
	- E o far?
	Jamal a olhou como se fosse louca.
	-  obvio que no!
	Delaney o olhou estupefata, perguntando-se o que teria Jamal contra o fato de sua irm estudar na Amrica.
	- E por que no? Voc fez isso.
	Jamal apertou os dentes.
	- Sim. Mas minha situao  diferente.
	Delaney arqueou uma sobrancelha.
	- Em que sentido?
	- Eu sou um homem.
	- E da?
	- Obviamente neste pas no significa nada. Vi mais vezes do que gostaria como os homens cedem ao controle das mulheres.
	Delaney semicerrou os olhos.
	- Parece que a igualdade de direitos  ceder ao controle?
	- De certa maneira. Os homens deveriam cuidar das mulheres, mas em seu pas, cada vez mais mulheres se educam para cuidarem de si mesmas.
	- E isso lhe parece ruim?
	Jamal a olhou e recordou sua bravura no dia em que se conheceram. A ltima coisa que queria era enfrentar uma discusso com ela. J tinha suas crenas e ela as dela. Mas j que lhe perguntara sua opinio, a daria.
	- Vejo como algo que no se toleraria em meu pas.
	O que no acrescentou foi que uma mulher, tal e como fizera sua madrasta em muitas ocasies, podia se apropriar do corao de seu marido at o ponto de dar-lhe a lua se ela pedisse.
	Jamal bebeu seu caf e decidiu mudar de tema.
	- Me fale de sua famlia - ele disse, pensando que aquele seria um tema mais seguro.
	Mas percebeu que no era assim quando viu o olhar furioso nos olhos de Delaney.
	- Minha famlia vive em Atlanta. Tenho cinco irmos e eu sou a mais nova. Durante muito tempo meus irmos acharam que eu precisava de proteo e ameaavam qualquer garoto que se aproximava de mim. Quando completei dezoito, ainda no tinha conseguido nenhum encontro, assim no deixei que se intrometessem. Transformei-me na malvada irm mais nova e em pouco tempo deixaram de se meter em meus assuntos.
	Jamal moveu a cabea e se compadeceu dos irmos de Delaney.
      - Algum de seus irmos  casado?
	Delaney olhou-o divertida.
	- Divertem-se muito sendo solteiros.
	- E seus pais ainda vivem?
	- Sim. Esto juntos h mais de trinta e sete anos e ainda so felizes juntos. Entretanto, minha me sempre viveu segundo a filosofia de meu pai, que era a de ficar em casa criando seus filhos. Mas quando eu fui embora, ficou com muito tempo livre e decidiu voltar a estudar - explicou-. Papai no gostou muito da idia, mas aceitou, pensando que duraria somente alguns meses. Orgulho-me de dizer que faz trs anos se licenciou em Magistrio.
	Jamal deixou sua taa de lado.
	- Por alguma razo, tenho a sensao de que voc teve muito a ver naquela deciso.
	Delaney riu.
	-  obvio. Sempre soube que minha me tinha uma mente brilhante e que estava desperdiando-a para cuidar do lar e dos filhos. Por que os homens podem ter todas as vantagens enquanto as mulheres ficam em casa?
	Jamal moveu a cabea. Esperava que Delaney Westmoreland nunca tivesse oportunidade de visitar seu pas por um longo tempo, do contrrio provocaria uma revoluo com aquela forma de pensar.
	Jamal se esticou, estava cansado daquela conversa. Estava evidente que Delaney recebera muita liberdade ao longo de sua vida. O que precisava era do controle de um homem.
	E o que ele precisava era que examinassem sua cabea.
	Estava inalando o feminino aroma de Delaney, que  estava enlouquecendo ele e pela forma que estava sentada, deixava descoberta a parte inferior de suas coxas, que a bermuda muito curta, no podia tampar.
	- H mulheres mdicas em seu pas?
	Jamal a olhou para ouvir a pergunta. Estava provocando uma conversa que ele mesmo decidira parar
	- Sim. Temos parteiras.
	- Isso  tudo? -perguntou ela.
	- Sim - respondeu Jamal, depois de pensar.
	Delaney olhou-o furiosa e apertou os lbios.
	- Seu pas  pior do que eu pensava.
	- Isso  o que voc pensa. Mas meu povo  feliz.
	- Que triste que pense isso! -exclamou Delaney movendo a cabea.
	Jamal franziu o cenho, sentindo-se estranhamente zangado. Se lhe desse a oportunidade, teria contado a ela que graas a Fatimah, uma mulher com um alto nvel cultural, as coisas comearam a mudar. As mulheres em seu pas recebiam apoio para continuar seus estudos e foram construdas novas universidades em efeito. E se assim o desejassem, poderiam trabalhar fora de casa.
	Jamal se separou do corrimo. Era sua hora de praticar kickboxing, mas antes precisava dar um passeio para aliviar a irritao que nublava sua mente e a crescente excitao que varria seu corpo.
	- Vou dar um passeio pelo lago. At mais tarde.
	Delaney se afastou para deix-lo descer pelas escadas e sentiu a tentao de dizer a ele, que tomasse seu tempo para voltar. Observou-o enquanto se afastava, notando como as calas se estreitavam contra seu traseiro. No havia nada como um homem com um bom traseiro.
	Delaney ficou de p e se esticou. Aquela manh  pensara em explorar os arredores da cabana e mais tarde tiraria uma soneca; alm de relax-la, aquilo a ajudaria a no passar tanto tempo com Jamal.

	Jamal no parou de caminhar mesmo depois de ter deixado o lago para trs; tinha a inteno de descarregar toda a frustrao sexual que pudesse. Andando.
	Deteve-se para observar a paisagem que rodeava a cabana. Daquele ponto, a vista era espetacular, aquela era a primeira vez que sara para caminhar desde que chegara.
	Sua mente voltou para Delaney e se perguntou se ela teria visto a paisagem daquele mesmo ponto e se lhe parecera to espetacular como a ele, mas duvidou que tivesse visto alguma coisa, j que estranhamente no saia de seu quarto por muito tempo.
	Ao escutar o som de seu celular, Jamal se apoiou contra uma rvore e respondeu.
	- Ol, Asalum. O que est acontecendo?
	- Somente queria me assegurar de que Sua Majestade est bem e no necessita de nada.
	- Estou bem, mas recebi uma visita inesperada.
	- Quem ?
	Jamal sabia que Asalum ficava imediatamente em alerta. Alm de ser seu secretrio pessoal, fora seu guarda-costas at que completou dezoito anos, assim  falou a ele de Delaney.
	- Se for um problema, talvez possa convenc-la de ir embora.
	Jamal suspirou.
	- No ser necessrio, Asalum. De todos os modos, a nica coisa que faz  dormir e descansar. Estava estudando para os exames finais. Recentemente se licenciou em Medicina.
	- Deve ser uma mulher fraca se estudar a cansa tanto.
	Por alguma razo, Jamal sentiu a necessidade de defend-la.
	- No  uma mulher fraca, a no ser justamente o contrrio,  muito forte, sobretudo em suas convices.
	- Parece a tpica mulher ocidental.
	Jamal passou uma mo pelo rosto.
	-  em todos os sentidos. E  muito bonita, Asalum.
	- Cuidado com a tentao, Majestade -disse Asalum depois de um curto silncio.
	Jamal pensou em tudo o que estava perdendo  desde que Delaney chegou  cabana.
	- Tarde demais, Asalum. J no se trata de tentao.
	- De que ento?
	- De obsesso.

Captulo Trs

	Na semana que ficou na cabana, Delaney terminou de desfazer a bagagem e de guardar suas coisas.
	Cruzou os braos sobre o peito e se aproximou da janela; desfrutava despertar cada manh com a maravilhosa vista que tinha para o lago. Sentia que uma srie de pensamentos e emoes invadiam sua cabea, e o primeiro era Jamal. Tinha que deixar de pensar nele. Desde a conversa que tiveram alguns dias antes, no pudera evitar de pensar nele, de maneira que decidira evit-lo.
	Sentiu que se enfurecia ligeiramente; no passado fora capaz de controlar seus pensamentos e concentrar-se em uma s coisa e assim conseguira dedicar toda sua ateno em sua carreira. Mas naquele momento, com seus estudos concludos, parecia que sua cabea cobrara vida prpria e no podia deixar de pensar nele. E eram pensamentos caprichosos, ntimos e erticos. Todavia aquilo no a prendia, j que Jamal era o tipo de homem que provocaria aqueles pensamentos em qualquer mulher, mas a incomodava o fato de no ter mais controle sobre si mesma.
	Embora tivesse terminado a universidade, ainda restavam dois anos como mdica residente, e uma relao ntima com um homem deveria ser a ltima coisa em sua cabea. Mas no era. E por isso estava ressentida, de mal humor e excitada.
	Decidiu dar um passeio para tranqilizar-se, embora em realidade sabia que aquilo no a ajudaria. Justo quando saa do quarto se chocou com o homem que estivera dominando seus pensamentos.
	Jamal a segurou pelos ombros para que no casse e Delaney se sobressaltou ao perceber seu peito nu. Os escuros olhos do prncipe penetraram nos seus fazendo com que os seus joelhos tremessem, o seu desejo se intensificou, acelerando sua respirao quando a mo dele passou de seu ombro para seu pescoo e comeou a acarici-la brandamente com os dedos. A magnitude das sensaes que invadiam seu corpo apenas a deixavam respirar; a qumica entre eles era intensa e com uma grande exploso sexual, alterando todos seus sentidos.
	O som de um trovo na distncia os sobressaltou. Lentamente, Jamal a soltou e deixou cair as mos dos lados.
	- Sinto muito -disse ele.
	Jamal falou em um profundo sussurro que sacudiu todos os nervos do corpo de Delaney e chegaram a cada canto de seu corpo. Pelo seu olhar, Delaney percebeu que ele sentia mesmo e de que estava to consciente 	quanto ela da tenso sexual entre eles.
	- No se preocupe. Eu no olhei por onde estava indo -se desculpou ela brandamente.
	Delaney inspirou profundamente para tranqilizar-se. Viu como Jamal a percorria com o olhar e embora vestisse uma bermuda e uma camiseta, sentiu-se nua. Mais tensa que relaxada. E mais excitada que nunca.
	- Delaney?
	Ao ouvir seu nome pronunciado de maneira to sensual, Delaney cravou o olhar em seus olhos e ele comeou a aproximar-se dela lentamente. Sentiu sua clida respirao contra o seu pescoo e respondeu brandamente, em um sussurro.
	- Sim?
	- Vai chover -disse ele com a voz rouca.
	Delaney viu que seus olhos se obscureciam pelo  desejo.
	- Parece que sim -conseguiu dizer ela.
	Umedeceu os seus lbios lentamente, j no estava consciente do que a rodeava e logo no ouvira as gotas de chuva que comeavam a cair sobre o telhado. Tampouco sentiu o ar frio e mido que repentinamente encheu a sala.
	Todos seus pensamentos e sua concentrao estavam postos na imponente figura que tinha diante de si, e no resistiu quando ele comeou a aproximar-se.
	"Deixe que a beije", disse uma voz em seu interior. "sacie-se e assim os dois podero deixar de agir como animais no cio. S um beijo".
	Um forte desejo se apoderou de Delaney, e um calafrio de paixo percorreu suas costas. Aquilo era o que necessitava para recuperar o bom senso. A atrao sexual entre homens e mulheres era algo saudvel e normal. Nunca antes tivera tempo para deleitar-se com isso, mas naquele momento estava preparada e com  Jamal, seu abandono ao prazer era inevitvel.
	Aquele foi seu ltimo pensamento antes que Jamal cobrisse sua boca com a dele.
	Jamal a beijou sabiamente e com desespero ao mesmo tempo. A necessidade de sabore-la era fundamental para ele. Sem descanso, sua lngua explorou a boca de Delaney, saboreando-a e acariciando-a, para passar a devor-la. E quando aquilo no foi suficiente, comeou a absorv-la com cada suspiro.
	Passou a mo por trs de sua cabea para sujeit-la. Pensava que seria impossvel saciar-se, mas tentaria de todos os modos. Chegara a um ponto onde estava disposto a morrer tentando.
	Ao longo de sua vida beijara muitas mulheres, mas nunca sentira a necessidade de, literalmente, com-las vivas. Nenhuma mulher o levara at o limite.
	Jamal crescera em um ambiente que aceitava o que o sexo e a intimidade representavam: um prazer e uma parte normal e saudvel da vida.
	Mas algo dentro dele dizia que no havia nada de normal em tudo aquilo. Como poderia ser normal querer acariciar eternamente a lngua de uma mulher para saborear algo que comeava a desejar com loucura?
	Jamal se estreitou contra ela, queria que o sentisse e que soubesse o quanto a desejava; queria que soubesse que queria algo mais que um beijo. Queria tudo.
	E pretendia conseguir.
	Os dedos de Jamal eram insistentes enquanto se moviam pelo seu corpo para estreit-la contra si e seu corpo se endureceu ao sentir seus duros mamilos contra seu torso nu. O contato era estimulante, quente e excitante.
	E estava enloquecendo-o.
	Sentiu que seu membro se endurecia e a apertou seu quadril com firmeza; necessitava que sentisse sua excitao em toda sua extenso. Soube que ela percebera quando comeou a enredar os dedos entre os seus cabelos e a estreitar-se contra ele ainda mais, enquanto ele continuava devorando-a.
	Alguns instantes mais tarde, outro forte trovo os separou. Delaney se sobressaltou de tal maneira que quase se afogou. Afastou-se para tomar ar e alguns segundos depois, quando levantou os olhos e encontrou com um acalorado olhar de Jamal, sentiu que seu corpo voltava a reagir.
	Um beijo no bastara para saciar-se e aquele pensamento a fez perceber que se no se separasse dele, no haveria como voltar atrs. J sentia que comeava a ceder e a deixar ser levada por ele.
	Delaney deu um passo para trs e ele se aproximou dela, prendendo-a contra a parede.
	- No deveramos ter feito isso -disse ela brandamente, embora sem convico.
	Jamal de sua parte se alegrava por terem feito e queria repetir.
	- J faz uma semana que chegou. Cedo ou tarde teramos nos beijado -disse ele com a voz rouca.
	Seu corpo ainda irradiava desejo, embora j no se tocassem.
	- Por qu? -perguntou ela.
	Quando viu a forma que seus olhos se obscureciam, uma parte dela desejou no ter perguntado. Estava olhando de uma maneira que fazia certas partes de seu corpo se esquentarem, e naquele momento no estava segura de poder suportar tanta excitao.
	-Porque nos desejamos e queremos fazer amor -respondeu ele sem mais.
	Embora aquelas palavras soassem bruscas inclusive aos seus ouvidos, eram a verdade e quando se tratava de satisfazer seu corpo, Jamal acreditava na sinceridade. Em seu pas aquelas coisas eram conhecidas e aceitas por todos.
	O corpo de Delaney tremeu ao ouvir aquilo, fazia parecer que o sexo era algo singelo e natural. Pensou em todos os homens com os quais sara; nunca sentira o desejo de deitar-se com nenhum deles.
	Mas Jamal tinha razo, naquele momento se sentia tentada, embora uma parte dela o rechaasse.
	- No sou o tipo de mulher que se mete na cama com qualquer homem -disse ela suavemente.
	Tinha que conscientiz-lo sobre sua postura naquele tema, e no poderia deixar que percebesse  que pela primeira vez, estava repensando nas suas convices.
	- No tem que ser na cama se no quiser. Podemos nos jogar sobre a mesa, ou no sof, ou no cho. Voc escolhe. Eu estou mais que preparado.
	Delaney baixou o olhar e ao ver a ereo que  marcava sua bermuda, percebeu que falava totalmente a srio e que no a entendera.
	- O que quero dizer  que no me deito com um homem s por diverso.
	Jamal assentiu.
      - E por prazer? Deitaria-se com um homem pelo prazer que lhe proporcionaria?
	Delaney o olhou incrdula. Manter relaes sexuais somente por prazer? Sabia que seus irmos faziam isso continuamente. Eles eram peritos. Nenhum tinha a inteno de se casar, e entretanto compravam tantos preservativos com o passar dos anos, que poderiam montar seus prprios negcios.
	- Nunca pensei nisso -respondeu ela sinceramente-. Quando penso que algum est quente, costumo pensar em homens em vez de mulheres.
	- Quente?
	Delaney moveu a cabea e pensou que provavelmente no estava familiarizado com aquela vulgaridade.
	- Sim. Quando algum est quente significa que est desejando fazer amor.
	Jamal se inclinou para sua boca.
	- Nesse caso, estou "quente" -murmurou ele-.E quero esquent-la.
	- Isso no  possvel -sussurrou ela, capaz apenas de respirar.
	Jamal sorriu.
	- Sim .
	E antes de que Delaney pudesse dizer algo, Jamal acariciou sua coxa com uma mo ao mesmo tempo que sua lngua acariciava seus lbios para lentamente, entrar em sua boca. Uma vez dentro, comeou a acariciar sua lngua como se tivesse todo o tempo do mundo para faz-lo.
	O corpo de Delaney se estremeceu quando sentiu que os dedos de Jamal estavam sobre o zper de sua bermuda. Parte dela queria afast-lo, mas outra parte estava invadida pela curiosidade; a parte dela que comeava a esquentar de novo e desejava sentir seu toque.
 	Queria saber at onde ele chegaria.
	Delaney conteve a respirao enquanto ele baixava o zper lenta e deliberadamente, no opondo resistncia. Percebeu que a respirao de Jamal comeava a ficar to pesada quanto a sua e aquilo a excitou ainda mais.
	Ento, Jamal colocou a mo dentro de sua bermuda, tocando-a com habilidade sobre o suave tecido de sua calcinha. Tocou-a em um lugar que nenhum homem havia tocado antes, e com aquela ntima carcia, todas as clulas de seu corpo se incendiaram. Comeou a acarici-la lentamente, languidamente, esquentando-a. Tal e como dissera que faria.
	Nunca experimentara algo to perturbador, to incrivelmente sedutor; enquanto uma das mos de Jamal afastava suas coxas, seu dedo centrava toda sua ateno naquele lugar to sensvel e estimulante que havia entre suas pernas, enquanto a lngua dele continuava acariciando a sua.
	A combinao de seus dedos e sua lngua foi muito para ela. Sentiu-se desfalecer e escandalizada. O prazer que lhe proporcionava era muito intenso.
	Naquele momento, outro trovo, o suficientemente forte para sacudir a cabana, tirou Delaney de seu atordoamento sexual e a devolveu  realidade; afastou-se de Jamal e inspirou profundamente. Recostou-se contra a parede, incapaz de acreditar no que acabara de ocorrer entre eles, o que se permitira fazer e as liberdades que tinha dado a ele.
	Tinha sido argila  entre suas mos.
	Uma mulher completamente diferente entre seus dedos.
	Agradeceu ao trovo que a salvara, no ltimo momento, de fazer algo ridculo. Tal e como pensara, Jamal era um professor na arte da seduo. Soubera como beij-la e onde toc-la para debilit-la suficientemente para que ela se deixasse levar. E no estava disposta a deixar que isso voltasse a acontecer.
	Obrigou-se a olh-lo, sabendo que tratava com um homem que provavelmente acostumara-se a conseguir o que queria, quando queria. A nica coisa que tinha que fazer era estalar os dedos cada vez que precisasse saciar-se sexualmente.
	Acaso pensava que poderia fazer o mesmo com ela enquanto estivesse na Amrica? Aquele pensamento a enfureceu; ela no era parte de seu harm e no tinha inteno de estar disponvel para ele.
	Delaney estava furiosa consigo mesma por deix-lo fazer com ela o que quisesse e o olhou furiosa.
	- Vou tomar uma ducha fria, e sugiro que faa o mesmo.
	Por um instante, Jamal no disse nada, mas depois sorriu amplamente.
	- Isso no ajudar, Delaney.
	- Por que no? -espetou ela, negando-se a admitir que provavelmente teria razo.
	- Porque conheo seu sabor e voc o meu. Quando tiver fome, vai querer comer, e quando isso ocorrer, eu a alimentarei at que seu corpo esteja satisfeito. Proporcionarei todo o alimento sexual que necessite.
	E sem esperar pela resposta dela, deu a volta e partiu.





	Depois de caminhar de um lado a outro de seu quarto durante o que lhe pareceu uma eternidade, Delaney se sentou do lado da cama. No recordava ter estado to irritada em sua vida, to frustrada... to furiosa.
	- Me sentirei melhor assim que conseguir pensar com claridade -disse para si mesma em voz alta.
	Ficou de p e comeou a caminhar de novo. Como podia um homem incendiar um corpo daquela maneira? Ainda sentia que o fogo a consumia.
	A nica coisa que tinha que fazer era fechar os olhos e podia sentir sua lngua dentro de sua boca, o toque de suas mos.., seus dedos sobre sua pele. E ainda podia sentir sua dureza contra seu ventre.
	Um gemido escapou de seus lbios. Tinha que sair da cabana e passear, mas o problema era que estava chovendo.
	Levou um dedo aos lbios e pensou que um passeio sob a chuva no apagaria a lembrana do beijo de Jamal.
	Perguntou-se o que estaria fazendo Jamal naqueles momentos. Sentiria-se igualmente atormentado como ela?
	Suspirou e pensou que tinha que manter-se firme e continuar evitando Jamal a todo custo.

Captulo Quatro
	
	- Vai a algum lugar?
	Delaney se deteve na metade do caminho para a porta da cabana. Desejou ter se assegurado de Jamal estar dormindo antes de sair para fazer compras, depois de seu ltimo encontro, Delaney evitara-o ficando em seu quarto a maior parte do tempo.
	Mas j no suportava ficar presa em seu quarto por mais tempo. O desejo, que flua por seu corpo como o vinho, a fazia sentir coisas que nunca havia sentido, e se encontrava intranqila e nervosa.
	Durante os ltimos dois dias, a chuva mativera os dois dentro da cabana; quando ela tinha fome, a  cozinha e o encontrava sentado  mesa, escrevendo coisas em um papel. Seu escuro olhar a atravessava,  cortando-lhe a respirao e embora no dissesse nada, Delaney sabia que a observava sem descanso enquanto ela estava perto. 	Como um lobo que estudava sua presa.
	Suspirou enquanto percorria Jamal com o olhar. Estava vestido com um pijama de seda branco, e o primeiro pensamento que cruzou a cabea de Delaney foi que j vira seus irmos com pijama em muitas ocasies, mas nenhum tivera o aspecto de Jamal. Alm disso, usava o kaffiyeh branco na cabea.  luz da lua, era o prottipo de prncipe alto, moreno e bonito.
	Inspirou profundamente e fez proviso de foras para manter o controle sobre si mesma, sobretudo ao recordar o beijo que tinham compartilhado; um beijo que lhe cortava a respirao s por record-lo. E para piorar a situao, comeou a se fixar em coisas que antes nem sequer tinha visto: como suas mos eram perfeitas; os dedos largos, hbeis e fortes; dedos que a seguraram com carinho enquanto a beijava; dedos que acariciaam sua bochecha, que desenharam o contorno de seus lbios e que tocaram seu lugar mais ntimo. Tambm se fixara em suas sobrancelhas: eram espessas, escuras, e junto com seus olhos, formavam uma mortal combinao.
	- Delaney, perguntei se voc vai a algum lugar -disse Jamal.
	Delaney tragou saliva e o olhou, mas quando ele fixou seu escuro e penetrante olhar nela, ficou cravada no lugar.
	- Vou a uma loja - respondeu ela finalmente-. Tenho que comprar algumas coisas.
	- A essa hora da noite?
	Delaney viu que franzia o cenho e ela fez o mesmo.
	- Sim. Incomoda-o?
	Por um momento, ambos se olharam fixamente, desafiando-se. Delaney no cederia e ele tampouco. A sua forma de pensar, recordava seus irmos em seus intentos de superproteo e aquilo era a ltima coisa que toleraria.
	- No. No me incomoda. Somente me preocupo com voc - disse ele -. No  seguro uma mulher sair sozinha  essa hora da noite.
	O tranqilo tom de sua voz a afetou mais do que gostaria, e a forma que a olhava no ajudava. Intencionalmente ou no, estava acendendo sentimentos que ultimamente comeara a sentir; sentimentos que tentara evitar ficando em seu quarto. Mas naquele momento sentiu como o sangue corria pelas suas veias e notou como sua respirao se acelerava.
	- Estou acostumada a viver sozinha, Jamal - contestou ela finalmente-. E sei cuidar de mim mesma. Devido aos meus hbitos de estudo, estou acostumada a fazer compras  noite, em vez de faz-las de dia.
	Jamal assentiu.
	- Importa-se que a acompanhe? Eu tambm preciso comprar algumas coisas.
	Delaney semicerrou os olhos e se perguntou se ele realmente precisava comprar coisas ou se estava utilizando uma desculpa para acompanh-la. Se fosse a segunda hiptese, no aceitaria.
	- Se eu no estivesse aqui, como faria para conseguir as coisas que necessita?
	Jamal deu de ombros.
	- Teria telefonado para Asalum, ele provavelmente ficaria mais que contente de fazer compras por mim, porm prefiro fazer as coisas por mim mesmo. Alm disso,  mais de meia-noite e precisa descansar.
	Delaney se alegrou de ouvir que, ao menos, era considerada como as pessoas que trabalhavam para ele.
	- Suponho que no far nenhum mal se me acompanhar - disse ela, assentindo lentamente.
	Jamal riu. Foi um som profundo e rouco que esquentou Delaney que o olhou de esguelha.
	- O que  to engraado?
	- Faz parecer uma odissia passar algum tempo comigo.
	Delaney suspirou e afastou o olhar. E ele no sabia nem a metade. Alguns minutos mais tarde, Delaney voltou de novo sua ateno para Jamal.
	- Isso  devido principalmente ao fato de ter pensado que estaria aqui sozinha durante as prximas semanas.
	Jamal sorriu repentinamente, surpreendendo-a, o que mitigou parte de sua irritao.
	- Eu tambm -disse Jamal com a voz rouca, enquanto cruzava a cozinha para ficar diante dela-. Mas j que no estamos sozinhos e foi sua deciso ficar, no acha que deveramos deixar de nos evitar e tirar o mximo de proveito desta situao?
	Delaney lutou contra a reao de seu corpo em face do cerco de Jamal, mas no era fcil.
	- Suponho que podemos tentar.
	- O que perderamos?



	- Conseguiu tudo o que precisava?-perguntou Delaney enquanto voltavam para carro. Assim que entraram no supermercado vinte e quatro horas, Jamal desapareceu.
	- Sim. E voc?
	- Sim. Inclusive comprei algumas coisas que no tinha pensado.
	Delaney pensou na novela romntica que  comprou. No recordava a ltima vez que lera um livro por prazer.
	O caminho de volta  cabana comeou em silncio. Delaney manteve os olhos na estrada mas sentia o olhar de Jamal sobre ela.
	- Que tipo de mdica ? -perguntou Jamal depois de um momento.
	Aquela pergunta fez Delaney sorrir. Gostava de falar sobre sua profisso e estava orgulhosa do fato de ser a nica mdica da famlia Westmoreland.
	- Serei pediatra, mas primeiro tenho que completar dois anos como mdica residente.
	- Voc gosta de trabalhar com crianas?
	- No s gosto de trabalhar com eles, mas adoro.
	- Eu tambm.
	Delaney se surpreendeu com aquele comentrio.
	- De verdade?
	A maioria dos homens no admitiria esse fato, especialmente se fossem solteiros.
	- Sim. Tenho vontade de me casar e formar uma famlia.
	Delaney assentiu.
	- Eu tambm. Quero ter muitos filhos.
	Jamal riu e a olhou intrigado.
	- Quantos so muitos?
	- Pelo menos seis -disse Delaney sem pensar.
	Jamal sorriu e pensou que era incrvel que os dois quisessem a mesma quantidade de filhos.
	- No so muitos?
	Delaney sorriu. Aquilo era o que seus irmos sempre lhe diziam. Estavam convencidos de que seria difcil ela encontrar um homem que quisesse ter tantos filhos.
	- Um nmero par para me manter feliz e contente.
	Quando o carro parou em um semforo, Jamal olhou Delaney de esguelha. Era muito bonita para descrev-la. Inclusive com o rosto sem maquiagem e um leno ao redor da cabea para prender o cabelo, era toda uma mulher, e muito atrevida.
	Os pensamentos de Jamal se desviaram para Najeen. Ela continuaria sendo sua amante mesmo depois de casar-se. Aquilo era conhecido e aceito; sabia que as mulheres ocidentais eram possessivas depois do casamento e no tolerariam que seu marido tivesse uma amante, mas a maioria das mulheres americanas pensava que se casava por amor. Em seu pas, as pessoas o faziam pelos benefcios que um casamento representaria, sobretudo herdeiros. E o casamento de Jamal no seria diferente. J que no acreditava no amor, no tinha inteno de casar-se por amor; seria um casamento de acordo, nem mais nem menos.
	Mas no imaginava Delaney conformando-se com aquele tipo de acordo com nenhum homem. Ela iria querer tudo: o amor de um homem, sua devoo e sua alma se pudesse consegui-la.
	Jamal se encolheu interiormente. S a  idia de uma mulher ter tanto controle sobre um homem era realmente desconcertante e a possibilidade de uma mulher exigir uma relao assim era algo impensvel em seu pas.
	- Acredita que poder ter uma carreira profissional e ser me ao mesmo tempo? -perguntou ele.
	Perguntou-se como responderia. As mulheres ocidentais eram menos caseiras; desfrutavam trabalhando tanto quanto o homem. Jamal sorriu. A mulher com quem se casasse s teria um trabalho: dar-lhe filhos. Se quisesse, poderia andar nua o dia todo; estaria nua e grvida a maior parte do tempo.
	- Claro -respondeu Delaney sorrindo-. Tanto quanto voc poder ser pai e prncipe ao mesmo tempo, eu poderei ser mdica e me. Tenho certeza de que em ocasies, ser um pouco catico, mas voc ter xito e eu tambm.
	Jamal franziu o cenho.
	- No acredita que seus filhos necessitaro toda sua ateno, principalmente nos primeiros anos?
	Delaney captou o sutil tom de desaprovao em sua voz.
	- No mais do que seu filho necessitaria de voc como seu pai.
	- Mas voc  uma mulher.
	Ela sorriu triunfalmente, satisfeita com aquele fato.
	- Sim, e voc  um homem. E da? No h nada que demonstre que o papel de uma me  mais importante que o de um pai na vida de uma criana. Eu penso que ambos so importantes. O homem com quem  me casar ter de passar tanto tempo com nossos filhos quanto eu. Dividiremos nosso tempo em partes iguais para cri-los.
	Jamal pensou na quantidade de tempo que seu pai passara com ele enquanto crescera. Jamal fora cuidado por uma servente muito respeitada, Rebakkah, a esposa de Asalum. E embora seu pai no passasse muito tempo com ele Jamal sempre soube que seu pai o amava, afinal, era seu herdeiro. E naquele momento sabia que sua relao estava apoiada no respeito; ele via seu pai como um rei sbio que amava seu povo e que faria tudo por ele. Ser o sucessor de seu pai algum dia, seria um trabalho duro e esperava estar  altura de seu pai quando chegasse o momento.
	Delaney percebeu que Jamal ficou calado. Evidentemente lhe dara algo no que pensar. Como se atrevia pensar que o trabalho de uma mulher era exclusivamente o de agradar seu marido na cama e procriar? Jamal e seu pai, alm de seu irmo Storm, dariam-se maravilhosamente bem.
	Delaney olhou Jamal de esguelha e se perguntou como se colocou em tudo aquilo, quando decidiu sair para fazer compras porque no pudera dormir, parecera uma boa idia, mas no contava que Jamal a acompanharia.
	Voltou a olh-lo e viu que ele estava observando-a, de maneira que centrou a ateno de novo na estrada. Quando chegaram  cabana, Delaney estava completamente acordada, assim decidiu que tinha que comear a diminuir as horas de sono durante o dia. Pelas noites, quando tudo estava em silncio, sua cabea parecia ter vida prpria e no gostava do rumo que estava tomando.
	Rapidamente passou ao lado de Jamal quando ele abriu a porta, com a inteno de dirigir-se diretamente ao seu quarto. A ltima coisa que queria naquele momento era outro encontro como aquele que compartilharam; aquele homem era um perito na arte de beijar.
	O que disse antes era certo, e ela odiava ter que admitir, mas seu corpo o desejava; comeava a sentir um pulsar em seu ventre e uma onda de calor que a invadia.
	- Gostaria de uma xcara de caf? -perguntou ele.
	O som de sua voz, rouco e sedutor, como sempre, a fazia sentir coisas em seu interior, e a ltima coisa que queria era compartilhar uma xcara de caf com ele. Antes do primeiro gole estaria equilibrando-se sobre ele.
	- No, obrigado. Vou me deitar.
	- Se alguma vez se cansar de dormir sozinha, recorde que meu quarto fica do outro lado do corredor.
	Delaney apertou os lbios.
	- Obrigado pela oferta, mas no considerarei.
	Jamal levantou a mo e acariciou sua bochecha. Foi to rpido que ela no teve tempo nem de piscar. Seu toque era suave, delicado e carinhoso, e Delaney sentiu que seu pulso se acelerava. Jamal se inclinou para ela.
	- De verdade? -sussurrou ele.
	Delaney fechou os olhos e bebeu o masculino aroma que desprendia; o desejo que sentia por ele ameaava afog-la. Delaney lutou para retomar o controle de si mesma e deu um passo para trs enquanto abria os olhos.
	- Sinto muito, "majestade", mas no o farei.
	Dito aquilo, deu meia volta e se apressou para seu quarto, pensando que mentira para ele, pois recordaria.

	- Cus!
	Delaney se revolveu na rede. Tinha os olhos grudados no livro e no podia acreditar no que estava lendo.
	Fazia mais de oito anos que no lia uma novela romntica, e as que lera at ento eram doces e inocentes. Mas o livro que tinha em mos no tinha nada de doce ou inocente; as cenas de amor no deixavam lugar para dvidas.
	Quando despertou aquela manh, e enquanto Jamal praticava kickboxing, ela se sentara  mesa da cozinha para tomar o caf da manh. Quando terminou, Jamal continuava fora, assim saiu e procurou um lugar junto ao lago para ler.
	Delaney inspirou profundamente e voltou sua ateno de novo para o livro. Alguns minutos mais tarde, seu corao pulsava com rapidez; perguntou para si mesma se duas pessoas realmente poderiam realizar tantas posturas em uma cama.
	Delaney se esticou e tentou tranqilizar-se um pouco; aquele livro a excitara. Em sua imaginao, o heri alto e moreno era Jamal e ela a elusiva e sexy herona.
	Deitou-se de costas e pensou que j lera o suficiente; no tinha sentido continuar torturando seu corpo daquela maneira e antes que pudesse perceber, dormiu pensando em um romance com o sheik.


	Sonhou que estava beijando-a da maneira mais sedutora e provocadora; no nos lbios, mas no pescoo e pelos ombros. Sentiu um ligeiro puxo em sua camiseta, como se estivesse sendo levantada para expor seu seios. Aquela manh fazia muito calor, assim no vestiu seu suti, naquele momento, com o toque da lngua de seu amante imaginrio sobre seus seios, saboreando-a, mordiscando-a, alegrava-se de no vest-lo. Sentiu uma onda de desejo por todo seu corpo enquanto uma lngua quente e mida comeava a lamber brandamente um de seus mamilos, deleitando-se na erguida ponta.
	Um nome, que dera ao seu amante imaginrio, saiu de sua boca em uma espcie de gemido. Sua cabea comeou a dar voltas e sua respirao se acelerou enquanto seu corpo se esquentava; uma parte dela no queria que o sonho terminasse mas a outra tinha medo de continuar. Parecia to real que sentiu que estava  beira da loucura.
	De repente, seu amante abaixou sua camiseta e  deteve suas aes. A respirao de Delaney voltou  normalidade enquanto ela lutava para retomar o controle de seus sentidos. Alguns minutos mais tarde, Delaney abriu os olhos e olhou ao seu redor. Estava sozinha, mas o sonho parecera totalmente real. Seus mamilos ainda palpitavam e o tringulo entre suas pernas ansiava pelo que nunca tivera: alvio.
	Fechou os olhos de novo, perguntando-se se poderia voltar a sonhar com seu amante, mas pensou que no seria capaz de suportar tanto prazer em um s dia. Alm disso, ainda estava com sono e cansada. Enquanto adormecia, no pde evitar de recordar seu sonho e pensou que fora incrvel.


	Jamal inspirou profundamente enquanto se apoiava contra uma rvore. O que o possura para justificar o que  acabara de fazer  Delaney? No teve que pensar muito para encontrar a resposta. Desde o primeiro dia sentira-se atrado por ela, e quando a encontrou adormecida na rede, com aquela bermuda e a camiseta acima do umbigo, no pde resistir  tentao de sabore-la. Um sabor no qual tinha pensado muito ltimamente.
	Seus seios, inclusive enquanto dormia, estavam erguidos e firmes, com os mamilos eretos, estreitando-se contra a camiseta. Logo, sem pensar, Jamal se ajoelhou diante dela e saboreou todo seu corpo, mas recuperou o bom senso antes de chegar ao ponto que ele queria chegar.
	S a idia de fazer amor com ela o excitara at tal ponto que sua ereo era dolorosa. E quando ela gemera seu nome, estivera a ponto de perder a cabea.
	Quando chegou  cabana, a ltima coisa que pensava era em uma mulher. Mas naquele momento, uma mulher em concreto era a nica coisa que podia pensar.
	Seu corpo estava quente, aceso e se perguntou se no deveria recolher suas coisas e dizer  Asalum para busc-lo e voltar ao seu pas. Nunca desejara uma mulher tanto para seduzi-la enquanto dormia.
	Mas no podia partir. Ela gemera seu nome em sonhos. No tinha imaginado. Ela poderia negar que o desejava enquanto estava acordada, mas enquanto dormia era um assunto completamente diferente.
	Sua libido estava alterada; queria voltar a sabore-la. Em realidade, queria algo mais que isso. Queria fazer amor com ela, e todos os msculos de seu corpo o empurravam para aquela meta.

Captulo Cinco

	Jamal estava sentado  mesa da cozinha tomando uma xcara de ch quando Delaney entrou uma hora mais tarde, para comer. Olhou-o de esguelha enquanto se dirigia para a geladeira.
	- Vou fazer um sanduche para comer -disse a Jamal-. Quer um?
	Jamal se moveu na cadeira enquanto a olhava. No queria um sanduche. Queria sexo. E como resultado, sentia-se intranqilo e nervoso. Apenas alguns dias antes saboreara sua boca e seus mamilos. No faltava muito para descobrir, mas o que faltava estava enlouquecendo os seus hormnios.
	Diante do silncio dele, Delaney se separou da geladeira e o olhou intrigada.
	- Jamal?
	- Sim?
	- Perguntei se quer um sanduche.
	Ele assentiu, aceitando sua oferta. Precisava comer algo j que necessitaria de todas suas foras mais tarde. Ao menos aquilo era o que ele esperava.
	- Sim, obrigado. Eu adoraria comer um sanduche.
	"Eu adoraria comer voc".
	 Continuou observando enquanto ela tirava as coisas da geladeira. O sedutor aroma feminino de Delaney enchia a cozinha e Jamal sentiu que o afetava profundamente. Alm disso, no ajudava saber que no usava o suti por baixo daquela camiseta e que seus seios eram os melhores para lamber e chupar. No instante em que sua lngua tocara seu mamilo ereto, a ponta se endureceu, tentando-o a absorv-lo completamente e brincar com ele. E pela forma que gemeu enquanto se revolvia na espreguiadeira, soube que ela estava desfrutando de tudo aquilo.
      Jamal baixou o olhar para seu traseiro. Aquela parte era a primeira coisa que tinha chamado sua ateno no primeiro dia; tambm era o que o fizera excitar-se naquele momento. Delaney gostava de usar bermudas, daquelas que mostravam perfeitamente o magnfico traseiro que tinha; tambm admirou suas coxas e a forma em que a bermuda marcava a suave curva de seus quadris. Jamal se perguntou que aspecto teria suas costas nuas e pensou que suas ndegas seriam to firmes e exuberantes quanto seus seios.
	- Quer maionese?
	Aquela pergunta o obrigou a olh-la no rosto, quando ela o olhou por cima do ombro.
	- No. Prefiro mostarda - respondeu ele rpidamente, enquanto pensava em encurral-la contra a bancada e tom-la por trs.
	Imaginou a si mesmo entrando e saindo dela enquanto estreitava seu traseiro contra ele.
	Jamal bebeu seu ch; normalmente era uma bebida que o tranqilizava, mas naquele momento no teve o efeito de sempre.
	- Prepare-se para desfrutar do meu sanduche - disse ela-. Meus irmos acham que  o melhor e dariam tudo para ganharem um. Tem meu toque especial.
	Jamal assentiu. De repente, sentiu cimes da fatia de po; desejava que as mos de Delaney estivessem sobre ele, estendendo sobre seu corpo o que ela desejasse... beijos preferivelmente.
	Delaney voltou a olh-lo por cima do ombro e sorriu.
	- Est muito calado hoje. Est tudo bem?
	Estava tentado a dizer-lhe que no, e que se ficasse de p, perceberia o porqu.
	- Sim. Estou bem - disse finalmente. 
      Satisfeita com sua resposta, ela se virou e continuou fazendo os sanduches e Jamal se recostou na cadeira. Observou-a enquanto terminava de prepar-los e viu que estava cantarolando e se perguntou por que estaria to bem humorada. Diferentemente dele, talvez estivesse dormindo bem nas noites e no estaria experimentando nenhum tipo de tortura sexual.
	- Terminou o livro? -perguntou ele. Delaney passara a manh lendo e a nica vez que o deixara foi quando ficou adormecida na rede.
	- Sim. Era estupendo -respondeu ela enquanto tirava dois pratos do armrio-. E  obvio que tinha um final feliz.
	Jamal arqueou uma sobrancelha.
	- Um final feliz?
	Delaney assentiu e se virou.
	- Sim. Marcus percebeu o quanto significava Jamie para ele e disse que a amava antes que fosse muito tarde.
	Jamal assentiu.
	- Ele amava essa mulher?
	Delaney sorriu.
	- Sim. Amava-a.
	- Ento isso que l  pura fantasia -disse ele franzindo o cenho-. Por que gasta seu tempo lendo tolices?
	Delaney deixou de sorrir e o olhou irritada.
	- Tolices?
	- Sim. Os homens no amam as mulheres dessa maneira.
	Delaney se apoiou na bancada e cruzou os braos sobre o peito. Jamal se fixou em suas pernas afastadas e ao v-la assim, quase se esqueceu do que estavam falando. Desviou o olhar para o lugar onde se juntavam as pernas e se perguntou o que sentiria ao empurrar seu duro corpo contra ela.
	- E como os homens amam as mulheres?
	Jamal a olhou e viu que ainda franzia o cenho, j no estava de to bom humor.
	- Normalmente no as amam. Ao menos no em meu pas.
	Delaney arqueou uma sobrancelha.
	- Em seu pas as pessoas se casam, no ?
	-  obvio.
	- Ento, se no  por amor, por que se casam?
	Jamal a olhou, sentiu-se repentinamente desorientado. Delaney tinha a capacidade de faz-lo se sentir daquela maneira cada vez que olhava seus escuros olhos e seus exuberantes lbios.
	- Casam-se por uma srie de razes; principalmente pelos benefcios que significa um casamento -respondeu ele sem afastar o olhar de seu rosto.
	- Benefcios?
	- Sim. Se for uma boa unio, o homem contribui com algum tipo de bem e a mulher contribui com fortes laos familiares e a habilidade de procriar herdeiros. So coisas necessrias para que um pas como o meu, cresa e prospere.
      Delaney o olhou fixamente, no podia acreditar no que acabara de ouvir.
	- Ento os casamentos em seu pas so como acordos comerciais.
	Jamal sorriu.
	- Mais ou menos. Por isso os mais bem-sucedidos so convencionados com cerca de trinta anos de antecedncia.
	- Trinta anos! -exclamou Delaney incredulamente.
	Jamal suspirou, no queria continuar falando daquilo, sobretudo sabendo como eram as mulheres americanas.
	- Esto prontos os sanduches?
	Evidentemente, Delaney no estava disposta a finalizar o tema.
	- No dia que nos conhecemos voc me disse que se casaria no ano que vem.
	Jamal assentiu.
	- Sim. Em meu pas  costume os homens se casarem antes de completarem trinta e cinco anos, e eu os completarei no ano que vem.
	- E a mulher com quem se casar? Seu casamento foi convencionado?
	Jamal percebeu que Delaney no lhe daria o sanduche at que sua curiosidade estivesse satisfeita.
	- Sim e no. Minha famlia convencionou meu casamento com a futura princesa de Bahan antes dela nascer; eu s tinha seis anos. Mas ela e sua famlia morreram h alguns anos enquanto viajavam para outro pas. Isso foi apenas um ano antes do nosso casamento. Ela s tinha dezoito anos.
	Delaney conteve a respirao.
	- Isso deve ter sido terrvel para voc.
	Jamal deu de ombros.
	- Suponho que teria sido se tivesse conhecido ela.
	"Como conheo voc", disse intimamente. S a idia de que algo ocorresse a ela...
	- O que quer dizer com isso? -Perguntou Delaney-. No conhecia a mulher com a qual se casaria? -inquiriu boquiaberta.
	- No. Nunca a conheci. Realmente no havia necessidade disso. Teria bastado conhec-la no dia do casamento.
	- Mas... e se fosse algum que no quisesse?
	Jamal a olhou e sorriu como se acabasse de fazer a pergunta mais tola.
	-  obvio que a aceitaria. Ela estava destinada para ser minha esposa e eu seu marido. Teramos nos casado da mesma forma.
	Delaney inspirou profundamente.
	- E voc continuaria vendo sua amante?
	Delaney falou em voz baixa, sem incomodar-se de perguntar a ele se tinha uma. Um homem como ele, sobretudo um homem que no se importasse de no conhecer a mulher com a qual se casaria, faria isso. Deitaria-se com sua esposa para gerar seus herdeiros e cumprir sua obrigao de marido, e depois se deitaria com sua amante para procurar se agradar.
	- Sim. Continuaria vendo minha amante -disse ele, enquanto pensava em Najeen-. Nunca a deixaria.
	Delaney o olhou incrdula. No podia acreditar a atitude de despreocupao que tomava o ser infiel. Inclusive seus irmos, que desfrutavam sendo solteiros, estava segura de que seriam fiis quando encontrassem a mulher adequada.
	De repente, Delaney sentiu que seus sentimentos eram uma confuso. Nunca poderia cogitar ter algo srio com um homem como Jamal e aceitar o fato dele se deitar com outra mulher. Respeitava as diferenas culturais, mas havia certas coisas que no poderia tolerar e a infidelidade era uma delas. A violao dos votos matrimoniais era algo que no toleraria.
	Cruzou a cozinha com um prato em cada mo e deixou um deles de repente sobre a mesa.
	- Desfrute de seu sanduche -disse ela olhando-o furiosa-. Espero que no engasgue. Eu comerei em meu quarto j que no momento, no quero desfrutar de sua companhia.
	Jamal se levantou rapidamente e agarrou seu pulso para aproxim-la.
	- Por que se zanga se falei com total sinceridade?  a forma que fazemos as coisas em meu pas, Delaney. Aceite.
	Ela tentou escapar de sua mo mas ele a segurava com fora.
	- Aceitar? - disse ela rindo sarcsticamente. Jogou a cabea para trs e o olhou irritada-. Por que teria que aceitar? A forma que voc vive sua vida  problema seu e no significa nada para mim.
	Seus rostos estavam muito perto um do outro, e acaso se movessem um s milmetro se tocariam. Ela tentou se afastar, mas Jamal no deixou.
	- Se realmente pensa o que diz, simplificaria muito as coisas.
	Delaney tentou no fixar-se no olhar de Jamal centrado em sua boca.
	- O que quer dizer com isso? -espetou ela.
	Odiava perceber que inclusive naquela situao, seu corpo comeava a sentir o desejo. Como podia desej-lo depois de ter admitido que no se casaria por amor e se gabava por ter uma amante a qual jamais deixaria?
	- Se como vivo a minha vida no significa nada para voc, ento o fato de nos deitarmos juntos no ter tanta importncia.
	- Como?
	- J me ouviu, Delaney. As mulheres ocidentais costumam ser possessivas e essa  a razo pela qual nunca mantive uma relao sria com nenhuma. Deite-se com elas uma vez e tentam faz-las sua para sempre. Expliquei como ser minha vida quando voltar a Tahran e quero que entenda antes de compartilhar minha cama. No posso lhe prometer nada, salvo que lhe darei tanto prazer como nunca experimentou.
	Delaney moveu a cabea, no podia acreditar na audcia de Jamal, sua arrogncia; ele tinha por certo que se deitariam juntos. Pois podia esquecer disso porque no se deitaria com ele.
	Delaney liberou sua mo da dele.
	- Me deixe esclarecer uma coisa, prncipe. No tenho inteno de me deitar com voc -gritou enquanto golpeava o peito dele-. No tenho inteno de ser o segundo prato de nenhum homem, por mais prazer que possa me dar. Mesmo  que seu corpo fosse feito de ouro e diamantes, no o tocaria a no ser que fosse exclusivamente meu. Entendeu?
      O olhar do Jamal se endureceu ao olh-la.
	- Nunca serei exclusivamente de uma mulher s. Nunca.
	- Muito bem. Agora j sabemos o lugar de cada um -disse Delaney e se virou para partir.
	- Delaney...
	Disse a si mesma que no deveria voltar, mas se virando.
	- O que?
	Jamal franzia o cenho, enfurecido.
	- Ento sugiro que v embora. Hoje.
	Delaney inspirou profundamente. Como se atrevia?	- J falei, Jamal. No vou partir.
	Jamal a olhou fixamente durante um instante.
	- Pois ento no baixe a guarda, Delaney Westmoreland. Desejo voc, tanto que me di. Desejo-a como nunca desejei mulher alguma -admitiu Jamal-. Eu gosto de inalar seu aroma, eu gosto de sabore-la e quero voltar a faz-lo. Quero estar dentro de voc e acender nossa paixo. Desde que chegou, no deixei de sonhar em tom-la, em estar em cima de voc e entrar em seu corpo para lhe dar o melhor sexo que j desfrutou.
	Jamal se aproximou lentamente dela, ignorando a apreenso em seu olhar, passou uma mo em sua bochecha e continuou falando.
	- Ao fim e ao cabo, para os dois, trata-se de luxria. Ento no importa o que ocorrer quando  partirmos daqui. O que h entre ns  singela e sincera, luxria; to forte que pode pr um homem de joelhos. No h amor entre ns e nunca haver. Somente haver luxria.
	Jamal se interrompeu e a olhou diretamente nos olhos.
	- Quando partirmos daqui, o mais provvel  que no voltemos a nos ver. Assim, por que no desfrutamos de um pouco de prazer que nos proporcionar maravilhosas lembranas durante anos?
	Lentamente, Jamal deslizou a mo de sua bochecha para seu pescoo.
	- Quero fazer amor com voc todos os dias enquanto estivermos aqui. Em todas as posies conhecidas pelo homem. Quero satisfazer suas fantasias e as minhas.
	Delaney engoliu a saliva. Tudo o que dizia soava to apetitoso, to tentador...
	E uma mulher com menos fora de vontade  abandonaria tudo, inclusive seu orgulho e aceitaria o que estava oferecendo. Mas ela no faria isso.
	No se conformaria com pouco, no estava to desesperada. Alm disso, no poderia sentir falta daquilo que no provara, e embora fosse a primeira a admitir que Jamal despertara nela sentimentos e desejos que nem sequer sabia que existiam, controlaria sua nsia por provar o resto.
	Assim com resoluo e firmeza, deu um passo para trs.
	- No, Jamal. Quando disse que um homem tem que ser exclusivamente meu, falava a srio.
	O olhar de Jamal se obscureceu e sorriu sedutoramente.
	- Isso  o que pensa agora, Delaney. Mas no final, ver as coisas de outra maneira.
	Seu tom de voz era rouco e o olhar de seus olhos a desafiava.
	- O que quer dizer?
	- Quero dizer que quando se trata de algo que quero, no jogo limpo.
	Delaney o olhou significativamente e sentiu que seu corao comeava a pulsar com rapidez ao compreender o que estava dizendo. Tentaria faz-la baixar a guarda, sem se importar quanto tempo demorasse, sempre e quando conseguisse o que queria: t-la em sua cama.
	Pois poderia ser to forte e to teimosa quanto ele. Aquele prncipe se encontrou com a pedra de seu sapato.
	Delaney sorriu e em seus olhos brilhou uma fasca de humor.
	- Talvez no jogue limpo, mas saiba que eu jogo para ganhar.
	- Este jogo no ganhar, Delaney.
	- No posso me permitir perd-lo, "majestade".
	- Ento no diga que no a avisei -disse ele e seu olhar se obscureceu.
	- Eu digo o mesmo -replicou ela,
	Sem nada mais a dizer, Delaney se virou e, com a cabea bem erguida, foi para varanda para comer seu sanduche.

Captulo Seis

	Quando Delaney entrou na sala de estar algumas horas mais tarde, Jamal levantou o olhar.
	A guerra foi declarada e ela estava utilizando todas as armas que podia dispor para ganhar. Estava determinada a mostrar  ele o que ela pensava que nunca teria, e aquela era a razo, pensou Jamal, pela qual mudou de roupa. A nica forma de descrev-la era incrivelmente sedutora.
	Usava uma bata de renda que insinuava mais do que cobria, e Jamal no pde fazer outra coisa alm de recostar-se na cadeira e olh-la dos ps a cabea. Um arrebatamento de primitiva posse, alm da excitao o assaltaram. No poderia aparentar indiferena embora quisesse, assim no tentou. Em vez disso, deixou de lado os documentos nos quais estava trabalhando e esticou as pernas, dando a ela toda sua ateno. De todos os modos, Jamal sabia que aquilo era o que ela queria.
	Sabia qual era seu jogo: queria coloc-lo de joelhos sem lhe dar a oportunidade de ficar entre suas pernas. Mas Jamal pensou que a deixaria jogar seu pequeno jogo, e depois jogaria o dele.
	A bata que usava era de cor pssego e ressaltava  o tom moreno de sua pele. O tecido parecia de suave seda e proporcionava a quantidade justa de encanto feminino. A forma que o tecido se movia ao seu redor enquanto cruzava a sala indicava que no usava roupa ntima. Aquela mulher era a seduo personificada.
	Jamal sentiu que seu membro palpitava enquanto observava como se sentava no sof em frente a ele: completamente correta e formal, e verdadeiramente sexy. Embora sua respirao se acelerasse, torturou a si mesmo obrigando-se a continuar olhando-a.
	- Como vo as coisas? -perguntou ela em um tom profundo e sedutor.
	Jamal piscou quando percebeu que ela tinha falado, e o sedutor tom de voz e a forma que o olhava o conscientizou da parte mais masculina de seu corpo.
	- Poderia dizer que est como concreto-disse ele tranqilamente.
	No tinha sentido ocultar o evidente, j que tinha uma grande ereo do tamanho do Egito.
	Delaney no lhe respondeu. Em vez disso, sorriu descaradamente, como se marcasse um ponto. E Jamal teve que aceitar que marcara. Perguntou-se se ela desfrutava vendo-o suar; recordaria tudo o que  estava fazendo ele passar quando chegasse a sua vez e quando isso acontecesse, no a deixaria voltar atrs. Ela comeara aquilo e Jamal estava decidido a obrig-la a chegar at o final.
	O cd que estavam escutando terminou e um interminvel silncio encheu a sala.
	Olharam-se fixamente um ao outro.
	Jamal sentiu que seu corpo ardia por dentro, subindo insuportavelmente de temperatura e pela expresso do rosto de Delaney soube que ela estava desfrutando daquele momento.
	- Quer que coloque mais msica? -perguntou ele, enquanto lentamente ficava de p, sem se importar que ela visse a evidente amostra de sua masculinidade.
	Depois de assimilar quo grande era, Delaney assentiu, incapaz de falar. Ao ver a expresso de seu rosto, Jamal no pde evitar de sorrir. O que tinha esperado?
	Embora algumas mulheres lhe dissessem que era muito bem dotado, pensou que ela j vira antes um homem excitado sexualmente.
	Jamal se dirigiu ao equipamento de msica.
	- Tem alguma preferncia? -perguntou ele.
	Ao ver que ela no respondia, Jamal a olhou por cima do ombro.
      Delaney tragou saliva antes de responder.
	- No. Coloque o que quiser.
	Jamal captou seu nervosismo. Evidentemente, no tinha aquele jogo to controlado como ela acreditava.
	Ps um cd do Kenny G e imediatamente o som do saxofone encheu a sala.
	Jamal se virou e lentamente, aproximou-se do sof onde ela estava sentada; queria comprovar quanta tentao poderia suportar.
	Deteve-se diante dela e estendeu uma mo.
	- Quer danar?
	Jamal esperou enquanto ela se decidia, embora j soubesse qual seria sua resposta; ela comeara aquilo e no permitiria que ele sasse vitorioso.
	Lentamente, Delaney ficou de p.
	- Sim -aceitou ela e tomou a mo que lhe oferecia.
	Jamal a estreitou entre seus braos e ambos suspiraram quando seus corpos entraram em contato. Fechou os olhos e se obrigou a conservar a calma; gostava de senti-la e quando ela se apoiou contra seu peito, grunhiu.
      Nenhum dos dois disse nada, mas ele sabia que Delaney continha a respirao cada vez que sua ereo roava seu ventre, coisa que procurou fazer freqentemente.
	Quando a msica cessou, Jamal no quis solt-la, e como ela se afastou, teve a impresso de que tampouco estava preparada para o trmino daquele momento.
	Sabia o que tinha que fazer e o que queria fazer, e se sabore-la, chegariam mais longe, que assim fosse.
	Afastou-se ligeiramente, obrigando Delaney a levantar a cabea. Ento, Jamal viu um desejo to poderoso quanto o seu refletido em seus olhos e soube que tinha que beij-la.
	Delaney provavelmente estaria pensando a mesma coisa, porque entreabriu os lbios para ele, sem protestar.
	Quando Jamal capturou seus lbios, Delaney gemeu entrecortadamente.
	O movimento de sua lngua dentro da boca de Delaney era lento e metdico; ele era um perito na arte de beijar e utilizou aquela arte com ela.

	Delaney ouviu um suave gemido dentro de sua garganta enquanto entrelaava os dedos nos cabelos de Jamal. Sentia-se gloriosa. No tinha nem idia do que estava fazendo com ela, mas fosse o que fosse, no queria que parasse. Havia certos pontos em sua boca, os quais ele acariciava com sua lngua, que estavam enlouquecendo-a at tal ponto que o calor que comeou a sentir entre as pernas, tornara-se insuportvel.
	Delaney gemeu e seu corpo comeou a tremer, parecia que todas suas terminaes nervosas se eletrificavam; sentiu que seus joelhos tremiam e sua cabea comeou a dar voltas. O ltimo pensamento que cruzou sua mente foi que estava morrendo.

      Delaney abriu os olhos lentamente e olhou para Jamal. Estava cada no seu colo.
	Piscou e notou que sua respirao era pesada e entrecortada.
	- O que aconteceu? -perguntou em um sussurro. sentia-se muito dbil.
	- Desmaiou.
	- Desmaiei? -repetiu ela, perguntando-se se tinha ouvido bem.
	Jamal assentiu.
	- Sim. Enquanto a beijava.
	Delaney inspirou profundamente e fechou os olhos ao recordar. Era virgem, mas sabia reconhecer um orgasmo. Fora o primeiro e continuava sendo virgem. Pareceu-lhe que cada parte de seu corpo se desprendeu enquanto um prazer como nunca havia sentido a invadia. Fora muito intenso.
	- O que fez comigo? -perguntou ela quase sem flego, enquanto os efeitos secundrios faziam seu corpo tremer.
	Notava a sensibilidade de sua boca, e o sabor de Jamal estava to impregnado por toda parte, que o saboreava cada vez que falava.
	Jamal sorriu.
	- Beijei-a de uma maneira muito especial-disse ele.
	- Beija assim a sua amante? -sussurrou ela.
	De repente sentiu a necessidade de saber, embora no soubesse se gostaria da resposta.
	Os olhos do Jamal se obscureceram e seu olhar refletiu surpresa.
	- No. Nunca beijei Najeen assim.
	Delaney piscou. Naquele momento foi ela que se surpreendeu. No s lhe dissera o nome de sua amante, mas admitira ter compartilhado com ela algo que no  compartilhara com nenhuma mulher. Por alguma razo, alegrou-se.
	- Alcanou o clmax enquanto a beijava.
	Delaney o olhou boquiaberta. No podia acreditar no que acabava de ouvir. Uma parte dela quis negar, mas a outra sabia que estaria mentindo descaradamente, assim tentou pensar em uma resposta alternativa.
	- Est molhada -disse ele antes que ela pudesse pensar em algo.
	Delaney engoliu saliva e notou que sua boca ardia. Sabia ao que se referia e se perguntou como sabia. Teria ele comprovado? Ela estava sentada sobre seu colo em uma postura muito escandalosa. Acaso teria ele colocado a mo por baixo de sua roupa e a acariciara como a ltima vez?
      Obviamente a pergunta se refletiu em seu rosto, pois Jamal lhe respondeu.
	- No a toquei, embora me sentisse tentado a faz-lo. Seu aroma a delatou. Era mais potente e envolvente, que s acontece quando uma mulher tem um orgasmo.
	Delaney o olhou fixamente, incapaz de acreditar na conversao que estavam mantendo. Ao menos ele falava, porque ela se limitava a escutar educadamente. De repente, percebeu que graas a ele, comeava a se conscientizar da intensidade de sua feminilidade.
	Jamal sorriu de novo e ficou de p, com ela nos braos.
	-Acredito que j teve o bastante por esta noite.  hora de se deitar.
	Dirigiu-se pelo corredor e Delaney surpreendeu-se ao ver que a levava para seu quarto, em vez do dele.
	Com suavidade, deixou-a sobre a cama, ergueu-se e ficou olhando-a.
	- Desejo-a, Delaney, mas no penso em me aproveitar de voc em um momento de debilidade como este. No terei conseguido nada se ao despertar ao meu lado, se arrepender --- disse e inspirou profundamente-. Por muito que queira estar dentro de voc, para mim  muito importante que se entregue voluntariamente e que aceite as coisas tal e como lhe expus - continuou ele-. Tudo o que posso lhe oferecer  prazer e o que saboreou esta noite  s uma pequena parte. Mas tem que entender que minha vida est em Tahran, e que quando partir daqui, no poder se tornar parte dela. Tenho algumas obrigaes e algumas responsabilidades que devo assumir.
	Jamal se inclinou sobre ela e acariciou sua bochecha. Seu escuro olhar era intenso.
	- Para mim, somente pode ser, e ser, uma maravilhosa lembrana que guardarei para sempre. Nossas culturas no permitem outra coisa. Entende? - perguntou com a voz rouca e carregada de pesar.
	Lentamente, Delaney assentiu com a cabea.
	- Sim.
	Sem dizer nada mais, Jamal deixou cair a mo de seu rosto, virou-se e saiu do quarto, fechando a porta atrs de si.
	Delaney enterrou a cabea entre os lenis e lutou contra as lgrimas que brotavam de seus olhos.

Captulo Sete

	Delaney abriu os olhos lentamente  luz do sol que entrava por sua janela. Ficou quieta durante um momento, olhando o teto enquanto as lembranas da noite anterior invadiam sua cabea.
	Levou os dedos  boca ao recordar o beijo que Jamal e ela compartilharam e sentiu que sua boca ainda estava quente e sensvel. Tambm sentiu que estava marcada. Jamal deixara uma marca nela que no deixara em nenhuma outra mulher. Beijara-a de uma maneira especial, to apaixonada que a fizera perder os sentidos.
	Fechou os olhos e se deu um momento para que sua cabea assimilasse todo o ocorrido, alm de pensar no que sentia.
	No dia anterior, Jamal deixara bastante clara sua postura. Dissera que a desejava, mas tambm dissera que o tempo que passassem na cabana juntos, seria o nico que compartilhariam. Ele tinha obrigaes e responsabilidades em seu pas que no podia negligenciar. Tinha uma vida que no a inclua e nunca incluiria. Em outras palavras, ela nunca teria um lugar em sua vida.
	Como mulher que nunca mantivera uma relao amorosa, nem sria, nem informal, sentiria-se indignada ao escutar sua proposta, mas depois de deix-la na cama, tivera tempo para pensar nas coisas antes de dormir.
	A vida de Jamal estava predestinada. Era um sheik e seu pas era sua principal preocupao. Admitira que a desejava, no que a amava. Tambm afirmara, uma e outra vez, que o que havia entre eles era pura luxria, e que, como adultos amadurecidos, no havia nada de mal em satisfazerem-se mutuamente, embora no houvesse amarras.
	O que lhe devotara no era diferente do que seus irmos ofereciam s mulheres com as quais saam, e ela sempre se aborrecera pelo fato de uma mulher ser to fraca para aceitar to pouco. Mas naquele momento, uma parte dela compreendeu.
	Depois de escutar o que lhe dissera, soube que  estava se apaixonando por ele, e aquela manh,  luz do dia, no se incomodou em negar a verdade.
	Ao longo dos anos tinha assumido que o homem pelo qual se apaixonasse seria um colega de trabalho, algum que compartilhasse de seu amor pela medicina. Mas aparentemente, as coisas no saam como a gente pensava.
	Delaney se apaixonara por um prncipe, por um homem cuja vida nunca compartilharia.
	Abriu os olhos ao perceber que o que ele dissera na noite anterior, era certo.
	Quando se separassem, o mais provvel  que no voltassem a se ver. Tinha que aceitar que o homem que amava nunca seria exclusivamente seu, mas se aceitasse o que lhe oferecia, ao menos teria lembranas para o futuro.
	Inspirou profundamente. J no se importava que no houvesse um final feliz em sua histria com Jamal. Mas at que chegasse a hora de se separarem, aceitaria cada dia com ele e apreciaria o tempo que passasse com ele para armazenar todas as lembranas que pudesse.
	Delaney o desejava da mesma maneira que ele  desejava a ela, mas em seu corao, sabia que para ela no se tratava de simples luxria.
	Sua mente e suas aes estavam dominadas pelo amor.

	Quando entrou na cozinha, inalou o aroma do caf recm feito.
      Delaney se serviu de uma xcara e se perguntou se Jamal, que era muito madrugador, estaria fora praticando kickboxing como fazia cada manh, assim se dirigiu  sala de estar e pela janela viu que estava de p na varanda. Inspirou profundamente e saiu ao seu encontro.
	- Bom dia, Delaney - murmurou ele.
	- Bom dia, Jamal - respondeu ela e o olhou de cima abaixo-. Est vestido de uma maneira diferente esta manh - acrescentou ao ver que se vestiu ao estilo de seu pas.
	Um sorriso se desenhou em seus lbios e uma fasca de diverso acendeu seu olhar.
	- Sim. Voc tambm.
	Delaney sorriu interiormente. Comeava a gostar daquele jogo.
	- Pensei que hoje  um bom dia para fazer algo que no fiz desde que cheguei.
	- O que?
	- Tomar um banho de gua quente na banheira de madeira que h no jardim. H espao suficiente para dois e me perguntava se gostaria de me acompanhar.
	Jamal arqueou uma sobrancelha, evidentemente surpreso pelo seu convite, embora sem inteno de recha-lo.
	- Sim. Acredito que sim.
	Naquele momento um tenso silncio os envolveu. Delaney sabia que no era tolo e que percebera seu pequeno jogo de seduo. E como na noite anterior, estava decidido a tirar o mximo de proveito. No jogava limpo.
	Em realidade, Delaney esperava que no jogasse.
	- Irei ao jardim -murmurou ela-.Estou com o biquni debaixo da roupa.
	- E eu no demorarei para me trocar. Em seguida estarei com voc. - disse ele com a voz rouca.
	Delaney se virou para partir, mas repentinamente se virou de novo para ele.
	- Mais uma coisa, Jamal.
	- O que?
	- Tem que me prometer que manter as mos quietas.
	Um sorriso zombador se desenhou em seus lbios e um brilho de maldade iluminou seus olhos.
      - De acordo. Prometo.
	Delenay piscou, surpresa por ter prometido tal coisa. Em realidade, no esperara que o fizesse.
	Sem dizer mais uma palavra, abriu a porta e entrou de novo na cabana, enquanto se perguntava se realmente tinha inteno de manter sua promessa.

	Delaney j estava dentro na banheira quando Jamal apareceu. Sentiu que sua respirao se acelerava e sentiu dificuldade de afastar o olhar dele. Quando finalmente conseguiu romper o contato visual com ele, suspirou aliviada e baixou o olhar para seu traje de banho.
	O traje de banho que usava era ainda menor do que a bermuda que usava para praticar kickboxing. Ele inteiro exalava sensualidade e se alegrou ao pensar que durante as trs semanas seguintes, Jamal seria todo seu.
	- A gua parece quente - disse ele, interrompendo os pensamentos de Delaney.
	- Est - replicou ela, dando uma risada.
	Jamal deixou a toalha de um lado e se sentou na beira da banheira.
      Delaney observou fascinada todos seus movimentos, enquanto ele entrava na gua e se sentava em frente  ela. Jamal se afundou at que a gua  cobriu seus ombros.
	- Delcia! - exclamou ele, fechando os olhos e recostando a cabea na beirada.
	- Sim, no  mesmo?
	Delaney arqueou uma sobrancelha. Realmente no tentaria nada? Parecia perfeitamente satisfeito estando sentado ali e adormecido. Nem sequer tentara ver seu biquni sob a gua. Se o fizesse, teria percebido que era muito pequeno.
	Delaney se sentiu frustrada, e estava a ponto de fechar os olhos quando o sentiu.
	Jamal esticara a perna, apoiando seu p justamente entre as pernas de Delaney, e antes que pudesse sequer respirar, comeara a mover os dedos dos ps para acarici-la em sua zona mais sensvel.
	Delaney fechou os olhos e inspirou profundamente enquanto o p de Jamal brandamente a massageava com uma sedutora preciso.
	Mas no se deteve ali. Jamal levantou o p e o apoiou entre seus dois seios. Depois, com os dedos, acariciou seu mamilo por cima do biquni, e quando a respirao de Delaney se tornou entrecortada, moveu o p ao outro mamilo.
	Quando sentiu que todos os movimentos tinham cessado, Delaney abriu os olhos para encontr-lo justamente diante dela.
	- No necessito das mos para seduz-la, Delaney - sussurrou ele, arrogantemente. Seus lbios estavam  escassa distncia dos dela -. Deixe que lhe demonstre isso.
	E o fez.
	Jamal se inclinou para ela e com a boca, levantou seu biquini. Depois, grunhindo como o lobo que ela  imaginou que era, sugou seus seios nus com uma paixo que quase a fez gritar, e com o joelho, levantou-a para que se ficassem por cima da gua. Saboreou e acariciou cada seio com sua lngua at faz-la retorcer-se e gozar.
Alguns instantes depois, quando ele se separou, ela gemeu em sinal de protesto.
	Delaney abriu os olhos lentamente para encontr-lo olhando-a com um anseio primitivo refletido nos olhos.
	Seus seios, sensibilizados pelas suas carcias, subiam e baixavam com cada suspiro, e enquanto ela continuava olhando-o, ele sorriu atrevidamente e Delaney soube que no tinha terminado.
	Conteve a respirao quando ele deslizou a lngua por seus lbios, para depois apoderar-se de sua boca. Automaticamente, ela entreabriu os lbios e ele introduziu sua lngua.
	Um calafrio de desejo a sacudiu e se perguntou que loucura a possura ao proib-lo de utilizar as mos. Improvisando, Jamal utilizava sua lngua para seduzi-la, da mesma forma que faria se estivesse utilizando as mos. Era um perito na arte de beijar e lhe demonstrou o quanto desfrutava beijando-a. E pela sua prpria reao, Delaney percebeu o quanto desfrutava ser beijada por ele.
	Alguns minutos mais tarde, Jamal se afastou e sorriu sedutoramente.
	- Quero v-la nua, Delaney.
	Aquelas palavras, murmuradas em um tom muito sensual, chegaram at o lugar mais profundo dela,  provocando uma quebra de onda de emoes.
      Uma vez mais, demonstrara-lhe que era capaz de agitar a paixo que havia nela e que at ento, no sabia que existia. E era uma paixo que ansiava explorar com ele.
	Gemendo, Delaney se aproximou dele. Ainda que ele no pudesse, ela sim, poderia utilizar as mos. E sentindo-se valente, rodeou seu pescoo com os braos e o beijou. Suas lnguas se encontraram e comearam a acariciar-se intimamente.
	Quando finalmente ela afastou a boca, inclinou-se para trs para olh-lo nos olhos.
	- Eu tambm quero v-lo nu -sussurrou ela.
	Os olhos de Jamal se obscureceram ainda mais.
	- E quando estiver nua, poderei utilizar as mos?
	Delaney sorriu.
	- E quando voc estiver, eu poderei utilizar as minhas? -perguntou ela por sua vez.
	- Poder utilizar tudo o que quiser -grunhiu Jamal.
	Delaney sorriu amplamente.
	- Voc tambm.

Captulo Oito

	Jamal sentiu que estava  beira da loucura enquanto observava como Delaney se aproximava. O biquini que usava era muito indecente, imprprio e obsceno para qualquer mulher, mas o encantou v-la com ele. Seu pulso acelerado disparou ainda mais e sua respirao se fez cada vez mais difcil. Diante de seus olhos estava tudo o que desejava e ansiava, e pretendia conseguir.
	Jamal franziu o cenho ao perceber que estava provocando-o de propsito.
	- Voc gosta do que v, "majestade"?
	Seus olhos, j cheios de excitao, refletiram tambm que Jamal estava consciente da situao. Cruzou os braos sobre o peito e a olhou significativamente.
	- Sim eu gosto. Mas quero ver mais.
	Delaney o provocava e imediatamente o frustrava.
	Jamal sabia que aquilo era um jogo para ela, um jogo que tinha inteno de levar at o final e ganhar. Possivelmente naquele momento ela estivesse se divertindo, mas quando tudo aquilo terminasse, seria ele que riria.
	- Est ansioso, no , Jamal?	
	- Sim .-disse ele. No via razo para mentir.
	- Acredito que deveramos entrar na cabana-disse ela sorrindo e jogando a toalha do lado.	
	Jamal arqueou uma sobrancelha. Ele pensava que aquele lugar era to bom quanto qualquer outro.
	- Por qu?
	Realmente pensava que se despiria ali fora?, pensou ela.
	- Porque prefiro estar dentro da cabana quando tirar o traje de banho.
	Jamal suspirou frustrado.
	- No importa onde esteja, Delaney, desde que tire isso. Deu sua palavra.
	- E voc a sua -disse ela e se virou para entrar na cabana.
	Jamal se apressou em segui-la e abriu a porta da casa para ela.
	- Obrigada.  um cavalheiro -disse ela em um tom de voz profundo e sedutor.
	Jamal sorriu e disse intimamente que gostaria que ela mantivesse aquela opinio algumas horas mais tarde. Um verdadeiro cavalheiro no estaria pensando em fazer as coisas que ele pensava em fazer. Tentaria ser um cavalheiro, mas no podia prometer mais que isso.
	- De acordo. Agora, faa. -disse ele quando estavam dentro.
	Delaney moveu a cabea. Sabia a razo pela qual ele estava desafiando-a e pela qual estava to nervoso: realmente no acreditava que faria.
      Pensava que estava se burlando dele; depois de tudo, dissera-lhe que jogava para ganhar.
	Delaney olhou ao seu redor.
	- Serei honesta. No vou me despir na cozinha.
	- Por que no?
	- Porque no  muito decente -disse ela e Jamal no pde evitar de rir.
	- Se preocupa com a decncia, usando o biquni que usa?
	- Sim.
	Jamal fez um gesto de desespero com os olhos.
	- No tem muito que tirar. Est fugindo de sua palavra.
	- No  verdade.
	- Pois demonstre.
	- De acordo. Sentiria-me melhor se ficasse nua no quarto.
	Jamal assentiu e se perguntou que desculpa daria assim que estivessem no quarto.
	Embora se sentisse muito frustrado, admitiu que o excitava a maneira que jogava com ele. No obstante, preferia jogar outras coisas. Aquilo j tinha durado o bastante.
	- Pois vamos ao quarto.
	- Precisarei de alguns minutos para preparar tudo -disse ela rapidamente.
	Jamal a olhou estupefato. Tinha que estar brincando. O que tinha que preparar? Se j estava meio nua!
	Mas antes que ele pudesse falar, Delaney se adiantou.
	- Somente peo cinco minutos, Jamal - disse ela e partiu.
	- Somente lhe darei cinco minutos - avisou-a -. Depois entrarei, esteja pronta ou no.

	Delaney olhou ao seu redor. Estava preparada.
	Como seu quarto ficava na direo da montanha, naquela hora do dia, recebia menos luz, o que era perfeito para o efeito que procurava. Fechara as cortinas e acendera velas por todo o quarto. E o aroma de incenso se estendeu por toda parte.
	Jogara a colcha e os dois travesseiros no cho e de ambos os lados colocara duas plantas.
	Delaney sorriu. O quarto tinha o aspecto de um osis de amor. Perfeito para um sheik...
	Ao ouvir um golpe na porta, Delaney se virou, inspirou profundamente e cruzou o quarto. Jogou uma ltima olhada ao seu redor e abriu a porta lentamente.
	Quando Jamal a viu, conteve a respirao. Usava uma curta camisola branca, semitransparente, que ressaltava o tom moreno de sua pele e deixava entrever certas partes de seu corpo.
	Jamal sentiu desejo de toc-la, mas se obrigou a olh-la em seu rosto. Ao faz-lo, viu que ela o olhava to encantada quanto ele.
	Jamal vestira um roupo de seda, e pela forma que se abria, ficava evidente que no usava nada por baixo.
	O olhar de desejo nos olhos de Delaney provocou um calafrio por todo o corpo de Jamal, e quando ela deu um passo para trs, ele a seguiu e fechou a porta.
	Rapidamente, olhou ao seu redor e viu a forma  que ela tinha preparado o quarto. Depois, centrou toda sua ateno em Delaney.
      Levantou uma mo e tocou seu queixo.
	- Tire - sussurrou ele-. Desta vez sem desculpas nem jogos. Conseguiu me levar ao limite.
	Ela o olhou fixamente, incapaz de fazer alguma coisa. Atravs do atordoamento de sua paixo, viu-o e soube que embora no a amasse, ela tinha algo que ele queria desesperadamente. E pela sua entrecortada respirao e o tamanho de sua ereo, que Jamal no se incomodou em ocultar, soube que tinha algo que ele ansiava urgentemente.
	De repente, um raio de esperana a iluminou. Embora estivesse destinado a se casar com outra mulher e embora tivesse uma amante esperando-o em seu pas,  naquele momento era ela a mulher que ele queria e desejava.
	- Tire - repetiu ele.
	Delaney percebeu que as palavras de Jamal estavam carregadas de frustrao e teve a certeza de que nenhuma mulher usara tantas artimanhas na hora de despir-se diante dele. Ao menos recordaria que no era uma mulher fcil.
	Delaney abaixou as alas e com um insinuante movimento, fez que a camisola casse aos seus ps.
	Olhou Jamal nos olhos e notou como sua respirao se cortava ao olh-la; viu que seus olhos se obscureciam e pela expresso de seu rosto, parecia enfeitiado.
	Seus olhos percorreram seu corpo como a carcia de um amante, e seu penetrante olhar provocou uma onda de calor desde seus mamilos at o tringulo entre suas pernas.
	Jamal levantou a mo para tirar a presilha dos cabelos, deixando que cassem sobre seus ombros.
	Sentiu o pulsar de seu corao na garganta e respirou com dificuldade.
	Delaney soube que sempre recordaria aquele momento que se mostrou para ele completamente; ao homem que amava. Jamal estava vendo ela como nunca nenhum outro jamais a vira.
	- Desejo-a, Delaney - sussurrou ele-. Quero faz-la minha em todas as posturas conhecidas pelo homem. Prometi lhe dar o mais puro prazer, me deixar faz-lo? Me aceita tal e como sou e aceita que isto  tudo o que haver entre ns?
	Ela o olhou fixamente. J sabia qual seria sua resposta. Entregaria-se a ele voluntariamente, embora no pudesse ser exclusivamente seu. Sem vergonhas nem arrependimentos.
	Assim levantou a cabea orgulhosamente enquanto lutava contra a ardncia de seus olhos e se disse uma vez mais que o amava. E por isso, entregaria-se a ele.
	- Sim, Jamal.  Quero experimentar o prazer que me oferece e sei que isso ser a nica coisa que terei de voc.
	Por um instante, pareceu  Delaney que um profundo pesar se refletia em seus olhos, antes de estreit-la entre seus braos e beij-la.
	Uma incrvel paixo se gerou entre eles no momento em que suas lnguas se tocaram, e a nica coisa que ela pde fazer foi deleitar-se nas ardentes sensaes que a invadiam. Sentiu sua pele quente contra ela e quando a mo de Jamal comeou a acariciar seu traseiro, instintivamente se aproximou dele. Sentiu sua virilidade, grande e quente, intimamente apertando-se contra ela.
	O beijo pareceu durar uma eternidade j que nenhum dos dois queria parar; queriam saborear cada minuto juntos, sem apressarem-se para o que ambos sabiam que os esperava.
	Comeara a devorar sua boca com uma fome que chegava  obsesso. Sua lngua acariciou cada canto de sua boca at quase faz-la perder a conscincia.
	Quando ambos precisaram respirar, Jamal interrompeu o beijo para imediatamente jog-la para trs e beijar seus seios.
	Delaney pensou que no suportaria muito mais se sua boca e sua lngua continuassem devorando-a daquela maneira.
	Demonstrando uma habilidade que fazia com que as pernas de Delaney tremessem, Jamal deu especial ateno aos seus seios, dando pequenas mordidas e apaixonadas carcias com a lngua. Aquele toque encheu o corpo de Delaney com um calor to intenso que pensou que arderia ali mesmo.
	- Jamal...
	Ele no respondeu. Em vez disso, tomou-a em seus braos e se dirigiu para o lugar que ela tinha preparado no cho. Jamal olhou ao seu redor e percebeu o que  tentara fazer: converter parte de seu quarto em um osis de amor.
	Jamal sussurrou algo em rabe e depois em berbere, e sem solt-la, deitou-a sobre a colcha. Ento, sentiu uma presso no peito ao compreender o que estava ocorrendo: Delaney estava se entregando a ele a um nvel profundamente passional, exticamente ertico e incrivelmente sensvel.
	Apressou-se em apagar as emoes que lhe eram estranhas e comeou a beij-la de novo. Enquanto o fazia, percorreu o corpo feminino com seus dedos, deslizando-os por seu ventre at a parte interior de suas coxas, antes de chegar  zona ntima entre suas pernas.
	Delaney interrompeu o beijo, fechou os olhos e tremeu quando sentiu que os dedos de Jamal a tocavam naquele lugar to ntimo, explorando-a e acariciando-a. Lutou para controlar a respirao e no perder o controle. No queria afogar-se nas sensaes que ele estava provocando. Abriu os olhos para olh-lo e pela tensa expresso de seu rosto, percebeu ele estava  beira da loucura sexual. A ereo que se apertava contra seu quadril era grande  e dura.
	Ela tampouco poderia suportar muito mais.
	- Desejo-a como nunca desejei uma mulher - murmurou Jamal-. Eu a quero - acrescentou e empurrou os dedos dentro de seu corpo para que soubesse o que exatamente queria.
	Delaney logo que conseguiu respirar e s pde emitir um gemido tremente.
	Lentamente, Jamal colocou e tirou os dedos, deleitando-se com os suaves gemidos dela. Estava lhe dando prazer.
	De repente, sentiu um tremor por todo o corpo e soube que no podia esperar mais. Tinha que entrar dentro dela.
	Jamal se colocou sobre Delaney e a olhou, maravilhando-se com a beleza morena de sua pele, as magnficas curvas de seus quadris, seu ventre liso e seu penetrante aroma feminino.
	Jamal viu um desejo to profundo refletido em seus olhos que esteve a ponto de perder a cabea.
	Tinha que provar aquele maravilhoso presente que lhe oferecia.
	- Toma  precaues, Delaney?
	Ela negou com a cabea.
	- No. Eu...
	Fosse o que fosse que ia dizer, decidiu no faz-lo. Mas no importava porque ele a protegeria.
	Jamal ficou de p e se aproximou de seu roupo. No bolso tinha guardado uma caixa de preservativos.
	Depois de colocar um, voltou e se colocou de novo em cima dela, detendo-se para admir-la, mas incapaz de conter-se por mais tempo, Jamal abaixou a cabea e a beijou com renovada paixo.
	Saboreou sua boca e acariciou sua lngua at que provocou nela uma fome igual  sua.
	Jamal interrompeu o beijo e sussurrou algo em rabe enquanto se deslizava em cima dela e separava suas coxas.
	Sabia que sempre recordaria aquele momento.
	Lentamente, explorou a entrada de seu corpo com sua ereo, antes de penetr-la; queria desfrutar da sensao ao entrar dentro dela.
	Os msculos de Delaney estavam incrivelmente tensos e o apertavam a cada milmetro que ele avanava.
      Jamal a observou quando, ao sentir que seu corpo o envolvia, ela conteve a respirao, e continuou movendo-se para dentro at que se topou com uma inesperada resistncia.
	Jamal franziu o cenho e a olhou incrdulo. No podia acreditar no que se acabava de encontrar, mas sabia o que era.
	-  virgem -sussurrou.
	Sentia-se assombrado, aturdido e confuso.
	Delaney levantou as pernas e o rodeou pela cintura, fazendo-o seu prisioneiro.
	- E qual  o problema, "majestade"? -perguntou ela, enquanto o olhava fixamente.
	Jamal no pde evitar de sorrir, embora aquela fosse uma dessas estranhas ocasies nas quais no estava acostumado a faz-lo. Sempre fora um homem srio quando mantinha relaes sexuais com uma mulher, mas ento percebeu que aquilo era algo mais.
	- O problema  que no me deito com mulheres virgens - respondeu ele.
	Delaney rodeou seu pescoo com os braos e levantou a cabea.
	- Desta vez sim.
	Jamal no deixou de olh-la. Sentia-se furioso porque sabia que ela tinha razo. No voltaria atrs.
	- Por que no me disse?
	Delaney deu de ombros.
	- No pensei que fosse importante.
	As feies de Jamal se endureceram.
	- Sim, . Em meu pas, minha honra me obrigaria a me casar com qualquer mulher que desvirginasse.
	- Ento  uma sorte que no estejamos em seu pas -disse ela, mas viu a irritao refletida em seu olhar.
	- Mas, e sua famlia? Vo querer que faa o correto.
	Delaney abriu os olhos ao pensar em seus irmos; no o deixariam fazer o correto, mas o despedaariam.
	- Minha famlia no tem nada que ver com isto, Jamal. Sou uma mulher adulta que toma suas prprias decises. Neste pas as mulheres podem fazer isso.
	- Mas...
	Em vez de deix-lo terminar, Delaney moveu seu corpo para que ele entrasse um pouco mais e sorriu ao ver que se surpreendia. Tinha ele exatamente onde queria.
	Ou quase.
	- Pare! -exclamou ele-. Tenho que pensar.
	- No, prncipe. No h tempo para pensar.
	Delaney sentiu sua masculinidade palpitando dentro dela e todo seu corpo se acendeu. Retorceu-se debaixo dele e notou que ele a segurava pelos quadris.
	- Delaney, estou avisando.
	Ela se fixou na tenso de seu rosto, o obscurecimento de seus olhos e as gotas de suor que cobriam sua fronte e soube que estava lutando contra o desejo.
	Tinha chegado o momento de terminar com aquela luta. Ela queria suas lembranas.
	Levantou o corpo para capturar sua boca, e antes que ele pudesse afastar-se, acariciou seus lbios com a lngua. Quando ele deixou escapar um gemido, ela colocou sua lngua em sua boca e o acariciou da mesma maneira que ele fizera. Sabia que assim que controlasse sua boca, no haveria como voltar atrs e Jamal cederia.
	Ele emitiu um profundo gemido e a segurou pelos pulsos, mas no interrompeu o beijo. Depois, deslizou as mos at seus quadris, levantou-a para ele e com um forte empurro, encheu-a completamente.
	Delaney ofegou ao sentir uma pontada de dor, mas esta diminuiu quando Jamal comeou a mover-se dentro dela.
	Jamal afastou o rosto e a olhou fixamente.
	- Fao-a minha - grunhiu enquanto a tomava tal e como sonhara desde o primeiro dia.
	Continuou entrando e saindo dela, sem deixar de segur-la e Delaney fechou os olhos para deixar-se levar pelo prazer que estava lhe dando. Cravou as unhas em seus ombros e rodeou sua cintura fortemente com as pernas.
	Quando abriu os olhos, viu que ele a olhava.
	- Se me fez sua, eu o fao meu, Jamal - sussurrou ela.
	Aquelas palavras fizeram a cabea de Jamal dar voltas. Sabia que falava srio.
	Fechou os olhos e jogou a cabea para trs, sentia que seu corpo se conectava com o dela, convertendo-se em parte dele e se sentiu arrastado para um lugar aonde no queria ir.
	Em sua cabea, escutou os gemidos de prazer de Delaney enquanto ele continuava enchendo-a uma e outra vez. Viajou com ela a um lugar que no fora com nenhuma mulher, e quando sentiu que a ponta da lngua de Delaney acariciava seu rosto e se deslizava para seu pescoo, soube que sempre se recordaria daquilo, mas as lembranas no seriam suficientes.
	- Jamal!
	Sentiu que ela se esticava, tremia e se agarrava a ele com fora enquanto o molhava com o lquido de seu amor.
	Jamal inspirou profundamente para inalar seu feminino aroma e sentiu coisas que nunca experimentara com uma mulher, at o ponto que no pde pensar. Somente era capaz de sentir.
	Jamal emitiu um profundo grunhido quando tudo ao seu redor explodiu, unindo-os ainda mais enquanto uma incrvel gratificao sexual sacudia seus corpos.
	E pela primeira vez em sua vida, Jamal sentiu um prazer que nublava sua mente e relaxava seu corpo.
	Sabia que nunca se saciaria daquela mulher.

Captulo Nove

	Jamal despertou  luz das velas. Olhou a mulher que ainda jazia em seus braos e pensou que estava desfrutando de um merecido descanso.
	Depois de fazer amor pela primeira vez, ambos adormeceram e uma hora mais tarde despertaram, to famintos um do outro como na primeira vez.
	Jamal se preocupou se era muito cedo para ela, mas Delaney tomou o assunto em suas mos e, sentando-se sobre ele, seduzira-o at o ponto que ele a deitou de costas deu o que ambos queriam. E uma vez mais, experimentou com ela o que nunca havia sentido com nenhuma mulher. Jamal sabia que quando se separassem, no encontraria a paz; Delaney sempre seria uma lembrana indelvel para ele.
	No passado, depois de fazer amor com uma mulher, Jamal rapidamente a fazia partir para poder tomar banho e se livrar do aroma de sexo. Mas naquele momento, o nico lugar onde queria que ela estivesse era em seus braos, e no sentia a necessidade de tomar banho.
	Jamal observou a forma que ainda abraavam um ao outro, no querendo soltar-se. Levantou uma mo e  afastou uma mecha de cabelo de seu rosto, enquanto pensava em quo tranqila parecia enquanto dormia. Tinha a mesma expresso de felicidade que no dia em que desmaiou quando a beijara.
	Jamal fizera amor com outras mulheres ocidentais, mas nada o preparara para uma mulher como Delaney Westmoreland. Ela era uma mulher que se mantinha firme em suas convices e que o chamava "majestade" com uma altivez, uma completa falta de respeito para um homem de sua posio e condio. No duvidava em  dizer que no se importava absolutamente com aquelas coisas e que embora fosse um prncipe rabe, para ela era s um homem. Nem mais nem menos. Outras mulheres cediam facilmente e deixavam que ele conseguisse o que queria com muita facilidade. Mas aquele no era o caso da apaixonada, provocante e esperta Delaney.
	Alm disso tinha o fato de ter se entregado a ele sendo virgem. Jamal nunca teria cogitado aquela possibilidade, sobretudo com o corpo to maravilhoso que tinha e suas convices liberais. Aquela mulher estava cheia de surpresas.
	Jamal se moveu quando notou que comeava a excitar-se outra vez, porm por mais que desejasse tom-la de novo, tambm tinha que cuidar dela, e o melhor para seu corpo naquele momento era um bom banho quente.
	- Delaney - sussurrou e a despertou com suavidade.
	Ela abriu os olhos sonolentos e o olhou; seus lbios, que estavam inchados pelos beijos, desenharam um sorriso. Aquele sorriso chegava at seu lugar mais profundo, alm de excit-lo, e Jamal viu a expresso surpresa de seu rosto quando percebeu que seu corpo estava outra vez preparado para possu-la.
	Tinha que deter aquela loucura; Jamal sentia que seu corpo comeava a se viciar em Delaney, assim tentou separar-se, mas ela o segurou com a perna.
	- Deveria lhe dar um banho quente -disse ele franzindo o cenho, e tentando faz-la raciocinar.
	Delaney moveu a cabea.
	- No. Possivelmente mais tarde -disse ela em um tom sedutor.
	- No. Agora. Alm disso, devo colocar outro preservativo antes de voltar a faz-lo. Seno, correremos o risco de ter um acidente.
	Jamal pensou que aquela explicao devolveria seu bom senso, mas no devolveu.
	Sentiu como o acariciava e o provocava.
	Olhou-a furioso, odiando a si mesmo por desej-la tanto. Ela estava torturando-o e sabia.
	- Est consciente do que est pedindo?
	Ela o olhou nos olhos.
	- Sim -murmurou Delaney, enquanto seu corpo o envolvia em um estado de impensvel prazer-. Quero voc, Jamal.
	- Delaney... 
	Aquelas palavras incendiaram o corpo de Jamal, e enquanto capturava a boca de Delaney com a sua, entrou totalmente em seu corpo para lhe dar o que estava pedindo.



	- Que maravilha! -disse Delaney, recostando-se contra a banheira.
	Depois de fazerem amor, Jamal tomara-a em seus braos e a levara para fora, na banheira de gua quente e os dois entraram dentro dela.
	- Vai aliviar sua ardncia -disse Jamal, olhando-a.
	Sentou-se em frente  ela, a uma distncia prudente j que no confiava em si mesmo quando estava perto dela.
	- Acredito que sobreviverei, Jamal. No sou uma mulher fraca.
	Jamal riu e pensou que aquilo era um eufemismo.
	- Certamente que no.  muito forte. 
	Delaney arqueou uma sobrancelha, no sabia se aquilo era um elogio ou um insulto; sabia que Jamal estava acostumado a mulheres dceis e submissas. Duvidou que ela algum dia seria assim.
	Olhou ao seu redor e viu que o sol estava se pondo e estava escurecendo.
	- Tem certeza que no acontecer nada por estarmos nus aqui fora? E se algum nos vir?
	- Isso no  um problema para mim.
	Delaney fez um gesto de desespero com os olhos.
	- Mas para mim,  .
	Jamal se recostou contra a banheira e fechou os olhos.
	- Tal e como voc disse no primeiro dia, isto  propriedade particular. Alm disso, podem olhar tudo o que quiserem, mas ser melhor que no tentem tocar.
	Delaney o olhou fixamente.
	- No est se tornando um pouco possessivo?
	Jamal abriu os olhos lentamente e a olhou.
	- Sim.
	Sua atitude naquele sentido era algo que nem ele mesmo compreendia. Nunca fora possessivo com uma mulher, nem sequer com Najeen, e no gostava daquilo.
	- Me fale de seu trabalho - disse ele para mudar de tema.
	Delaney passou a meia hora seguinte falando dos dois anos como mdica residente que tinha adiante no departamento de pediatria de um hospital.
	
	Naquela noite,  muito tempo depois que Delaney dormiu, Jamal continuava acordado. Por alguma razo, a idia de que algum dia ela dormiria nos braos de outro homem o incomodava. E quando finalmente dormiu, sua cabea ainda lutava contra o instinto possessivo que sentia por aquela bonita mulher.	



	- Tenho a sensao de que gostou do filme -disse Jamal quando parou o carro de Delaney junto  cabana.
	Ela sorriu sedutoramente.
	- Qual mulher no gostaria de um filme que  Denzel Washington aparece?
	Jamal a olhou fixamente e se surpreendeu pela pontada de cimes que sentia.
	- Voc gosta muito dele, no ?
	- Claro! -disse ela, enquanto descia do carro e subia pelas escadas do alpendre.
	Jamal franziu o cenho.
	- Sairia com ele se ele pedisse? -perguntou ele.
	Delaney se deteve e se virou. Observou a expresso de Jamal e ao ver que franzia o cenho e que apertava os dentes percebeu uma coisa: estava com ciumes!
	Sorriu para si mesma e pensou que se aquilo fosse certo, ento possivelmente ela teria alguma importncia para ele. Mas ento uma voz lhe disse que possivelmente tambm a visse como uma simples posse depois de ter se deitado com ela.
	- Sim. Sairia com ele - respondeu Delaney e viu que sua expresso ficou ainda mais sria-. Entretanto, no tenho inteno de perder o sono esperando que ocorra um milagre. Alm disso, no acredito que teria um encontro com alguma mulher j que est casado - explicou-. Por que quer saber?
	- Por curiosidade - disse ele, enquanto passava ao seu lado.
	Delaney ficou calada enquanto o seguia at a varanda. Aquela manh quando despertou, ele j se levantara e estava praticando kickboxing. Depois, os dois tomaram o caf da manh juntos enquanto falavam e ele sugerira ir ao cinema no meio da amanh.
	Ela sabia que sua inteno era estar o mximo tempo possvel fora da cabana para no sentir-se tentado a fazer amor com ela novamente. Queria dar um descanso ao seu corpo antes de voltar a faz-lo, embora ela tivesse tentado convenc-lo que seu corpo estava perfeitamente bem.
	Delaney suspirou. Tinha chegado o momento de tomar aquele assunto em suas mos.

	Jamal apertou os punhos quando ps-se de lado para deixar Delaney passar. No compreendia por que sentia aquele cimes irracional e se zangava; ele estava familiarizado com a fascinao das mulheres ocidentais pelas estrelas de cinema e os esportistas. Mas o incomodava pensar que Delaney tambm era assim.
	Fechou a porta atrs deles e a observou enquanto ela deixava sua bolsa no sof. Gostava do traje que vestiu para sair: Delaney sabia como vestir-se para luzir seus atributos. O curto vestido azul que chegava acima dos seus joelhos deixava  vista suas pernas bem formadas e suas sandlias de salto alto eram to sexys que o distraam continuamente...
	Jamal moveu a cabea e se perguntou como tinha sido capaz de negar-se a possibilidade de no fazer amor com ela o dia todo.
	- Gostaria de uma sopa e um sanduche, Jamal?
	Jamal engoliu a saliva, sua fora de vontade  comeava a fraquejar e teve que fazer um esforo para afastar o olhar de suas pernas e centrar-se em seu rosto.
	- Sim, e eu gostaria de ajud-la. 
      Delaney sorriu.
	- Parece que comeou a gostar da cozinha.
	Jamal franziu o cenho. Quis lhe dizer que na realidade o que gostava era de estar com ela.
	- As coisas nem sempre so o que parecem, Delaney.
	Ela o estudou durante um momento e depois se dirigiu para a cozinha. Ele a seguiu, fazendo um esforo para no fixar-se na forma que seu vestido se ajustava a seus quadris enquanto caminhava.
	- Quer cortar os legumes para a sopa?
	A cabea de Jamal voltou para a realidade naquele momento; pareceu ter ouvido ela falar, mas no estava seguro.
	- Voc disse algo?
	Ela se deteve e se virou. Seus olhos lhe sorriam carinhosamente como se fosse tolo.
	- Perguntei se quer cortar os legumes para a sopa que vou fazer.
	- Claro. Estou  sua disposio para tudo que necessite.
	-  sempre to amvel com as mulheres com as quais se deita?
	Jamal se esticou. No gostou daquela pergunta e se perguntou por que a teria feito. Enquanto estava com ela, no queria pensar em outras mulheres.
	- Muitas pessoas me consideram um homem amvel, Delaney -disse ele sem deixar de olh-la. No morderia a isca.
	Ela assentiu e continuou indo para a cozinha.

	Delaney deixou de mexer os ingredientes que tinha jogado na panela e olhou para Jamal, que estava junto  bancada cortando os legumes.
	- Como vai?
	Ele levantou a cabea e a olhou.
	- Quase terminado.
	- Bem. Em alguns minutos colocaremos no fogo.
	- Cheira muito bem. Estou seguro de que o gosto  melhor ainda.
	Delaney deu de ombros.
	- No h nada como algo que cheire bem e o gosto  melhor ainda -disse ela e voltou sua ateno  panela.
	Jamal estava fazendo um esforo para no recordar quo bem ela cheirava. Tambm tentava no recordar outras coisas...
	Terminou de cortar furiosamente um tomate e se dirigiu com o resto dos legumes para onde Delaney estava. Estava irritado consigo mesmo por no ser capaz de controlar seus pensamentos, sentia que estava perdendo o controle.
	Delaney se virou, sorriu e tomou o prato com os legumes que ele tinha nas mos.
	- Fez um bom trabalho -disse ela, enquanto  jogava tudo na panela-. Agora s temos que esperar ferver e deixar cozinhar um tempo.
	Jamal assentiu. Esteve a ponto de lhe dizer que ele estava quase fervendo devido ao calor feminino que ela gerava. Durante os ltimos trinta minutos tentara distrair-se para no olh-la; cada movimento seu o excitava. Quando Delaney se esticou para procurar alguns ingredientes no armrio,  e por acaso seu curto vestido subiu, deixando  vista suas coxas e ele comeara a suar. Aquela viso era a tentao personificada.
	- Que tipo de sopa est fazendo? - Perguntou ele, aproximando-se um pouco mais.
	- Sopa de legumes.
	Jamal sentiu que seu membro palpitava pela intensidade de seu desejo. Obrigou-se a sorrir.
	- Parece muito simples. Pergunto-me por que no pensei nisso.
	Delaney colocou uma tampa na panela, baixou o fogo e se virou para olh-lo.
	- Possivelmente tenha outras coisas na cabea -disse ela e se dirigiu  pia.
	Jamal a seguiu. Deveria ter previsto que ela estaria um passo adiante dele.
	- E o que acha que estou pensando? -perguntou, olhando-a fixamente.
	Delaney deu de ombros.
	-No leio mentes, Jamal.
	-No -disse ele, percorrendo-a com o olhar-. Porque est muito ocupada me seduzindo.
	-No  verdade.
	-Sim, . Por acaso acha que no percebi o que me fez durante a ltima meia hora?
	Por um momento nenhum dos dois disse nada, enquanto seus olhares se encontravam.
	-E funcionou? -perguntou ela, sedutoramente.
	Jamal se aproximou dela enquanto murmurava algo. Estendeu o brao e a atraiu para si para demonstrar que sua artimanha tinha funcionado.
	- O que voc acha?
	Ela gemeu brandamente e separou as pernas, queria sentir sua dureza entre suas pernas. Inclusive com suas roupas, sentiram o calor que ambos geravam.
	Delaney semicerrou os olhos.
	-Acredito que deveria dar ao seu corpo o que ele pede e deixar de se fazer de duro para conseguir.
	Jamal inclinou a cabea e acariciou seus lbios com a lngua.
	-Estava tentando lhe dar um descanso.
	A respirao de Delaney se acelerou ao sentir sua lngua saboreando seus lbios.
	-No quero descansar. Meu corpo est perfeitamente bem. S precisa de voc -disse ela em voz baixa-Quero que faa amor comigo e me satisfaa. Quero sent-lo dentro de mim, Jamal. Agora.
	Ao ouvir aquilo, Jamal a beijou com uma intensidade que o afligiu. Tomou-a em seus braos e rapidamente cruzou a cozinha para deix-la sobre a mesa; subiu-lhe o vestido at a cintura e tirou sua calcinha.
	Como um homem desesperado, baixou o zper da cala e separou as pernas dela. Depois, aproximou-a dele e a penetrou.
	-Sim! -exclamou ele, jogando a cabea para trs ao sentir o calor de Delaney rodeando-o.- Me enlouquece, Delaney -disse ele, fechando os olhos enquanto segurava seus quadris para que no se movesse.
	Queria desfrutar de seu gosto e ficar ali, entre suas pernas, aprisionado dentro dela.
	-No se mova -ordenou ao sentir que ela se movia-. Deixe me sentir dentro de voc; quero sentir como me molha e me aperta.
	Jamal inalou seu aroma. Era como um afrodisaco que intensificava seu desejo sexual.
	-Deite-se -sussurrou ele com a voz rouca e a sujeitou pelos quadris enquanto ela se deitava.
	Quando se encontrava deitada de costas sobre a mesa, ele se inclinou sobre ela e a atraiu para si, entrando em seu corpo at o fundo. Jamal abriu os olhos quando notou que suas coxas tremiam e que abria as pernas para rode-lo pela cintura.
	O pouco controle sobre si mesmo que restava desapareceu quando abaixou a cabea e a beijou. Fechou os olhos e comeou a fazer amor com ela como se fosse a ltima vez: sentia-se faminto, obcecado e possudo. Pensou que no poderia passar nem um s dia sem fazer amor e por um momento pensou na possibilidade de lev-la a Tahran com ele,  fora se fosse preciso. Queria estar com ela para sempre.
	Para sempre.
	Jamal abriu os olhos e amaldioou em rabe e em berbere. No podia acreditar no caminho que tinham tomado seus pensamentos. Com ele, nada era para sempre, sobretudo quando se tratava de uma mulher. Mas quando arqueou as costas para trs para entrar completamente em seu corpo, soube que sua atitude com ela era diferente. Seu corpo parecia pensar por si mesmo. Queria poder devor-la sempre.
	A intensidade sexual varreu seu corpo e pensou que nada fora nem seria, comparvel quilo.
	Alguns minutos mais tarde, quando Delaney alcanou o clmax e gritou, Jamal inalou seu aroma feminino ao mesmo tempo que ele explodia dentro dela. Foi ento que percebeu que no colocara um preservativo. Mas j era muito tarde para fazer alguma coisa j que no tinha inteno de retirar-se, assim continuou semeando sua semente no corpo de Delaney.
	Apertou os dentes quando a penetrou com fora, queria lhe dar tudo o que era dele, tudo o que nunca dera a nenhuma outra mulher. Finalmente admitiu para si mesmo que o que estava compartilhando com ela era mais que uma simples satisfao do apetite sexual.
	De algum jeito, ela tinha encontrado a forma de limar suas resolues e emoes. Sentia que suas defesas se derretiam e que o escudo ao redor de seu corao fora derrubado. E quando percebeu o que estava ocorrendo, a surpresa sacudiu seu corpo, intensificando seu clmax.
	Depois, outra emoo, mais forte e poderosa, tomou conta dele. At aquele momento tinha sido uma emoo estranha para ele, mas naquele instante sentiu que invadia todo seu ser.
	O amor.
	Jamal a amava.

Captulo Dez

	A seguinte semana passou depressa enquanto Jamal e Delaney desfrutavam do tempo que passavam juntos.
	Numa manh, pouco antes do amanhecer, o celular de Jamal tocou. Automaticamente, estendeu a mo para ele porque sabia quem era.
	-Ol, Asalum.
	Jamal sentiu que Delaney se movia, seus braos estavam fortemente apertados ao redor de seu corpo e suas pernas enredadas nas suas. Na noite anterior tinham jantado no jardim para desfrutar da beleza da lua e seu reflexo sobre o lago. Mais tarde, fizeram amor durante toda a noite.
	Algo que Asalum disse captou a ateno de Jamal.
	-Repita -disse, incorporando-se imediatamente-. Quando? -perguntou enquanto ficava de p e procurava seu roupo.
	Jamal se virou para se encontrar com o inquisitivo olhar de Delaney.
	- Ligarei para meu pai em seguida, Asalum-disse e desligou.
	Suspirou pesadamente e se sentou na beira da cama enquanto estendia os braos para Delaney. Antes  que pudesse perguntar algo, beijou-a.
	-Bom dia, Delaney -sussurrou ele e a abraou com ternura.
	-Bom dia, prncipe -disse ela sorrindo, mas em seguida franziu o cenho-.Aconteceu alguma coisa?
	Jamal se moveu para recostar-se na cabeceira, levando Delaney com ele.
	-No saberei at que fale com meu pai. Antes de vir a este pas, estive envolvido em algumas negociaes importantes relativas a vrios pases que limitam com o meu. Depois de trs meses de discusses, todo mundo pareceu satisfeito. Mas segundo Asalum, o sheik de um desses pases est tentando voltar atrs no acordo.
	Delaney assentiu.
	-Em outras palavras, est causando problemas e sendo uma dor de cabea.
	Jamal riu. Gostava da forma que Delaney expressava as coisas.
	-Sim.  isso.
	Delaney o beijou nos lbios e desceu da cama.
	-Aonde vai? -perguntou ele, quando ela comeou a recolher sua roupa do cho.
	Delaney se virou e sorriu.
	-Vou tomar um banho. Sei que tem que fazer uma ligao importante, assim quero lhe dar privacidade enquanto o faz.
	Ele sorriu e a percorreu com o olhar.
	- Sem distraes?
	-Sim -disse ela, rindo tambm-. Pode me fazer companhia na ducha quando terminar-acrescentou, olhando-o sedutoramente.

	Jamal no terminou a tempo para tomar banho com Delaney. Ao falar com seu pai, descobriu que a situao era mais sria do que pensara e teria que voltar para Tahran imediatamente.
	Ligara para Asalum para dar instrues para que preparasse a volta para seu pas. Toda sua vida soubera o que esperavam dele quando o dever o chamava, mas aquela era a primeira vez que havia algo importante em sua vida e que era tudo para ele.
	No dissera  Delaney como se sentia porque aquelas emoes eram novas para ele e no estava seguro de que fossem mudar alguma coisa. Suas vidas eram completamente diferentes e nunca teriam um futuro juntos. Mas no sabia se seria capaz de deix-la.
	Sabia que de algum jeito tinha que deix-la partir. Ela nunca seria sua rainha e a amava muito para lhe pedir que fosse sua amante, sobretudo sabendo o que ela pensava a respeito. Alm disso, existia o outro problema que seu pai lhe pusera nas mos. O velho sheik de Kadahan queria que Jamal se casasse com sua filha assim que pudesse. A idia de casar-se, h apenas algumas semanas atrs aceitaria como seu dever, mas naquele momento o irritava. No gostava da idia de ter outra mulher em sua vida que no fosse Delaney, assim como tampouco gostava da presso de seu pai para que voltasse para casa e considerasse seu casamento com Raschida Muhammad, princesa de Kadahan, imediatamente, somente para satisfazer ao pai desta.
	Jamal moveu a cabea. Por que tanta pressa para o casamento?  Por que o sheik Muhammad tinha tanta pressa para casar sua filha? Jamal fizera aquelas perguntas ao seu pai e a nica resposta que tinha obtido era que a sade do sheik era dbil e queria assegurar-se de que sua filha, alm de seus sditos, estariam em boas mos no caso de algo ocorrer a ele.
	Jamal se negava a acreditar que o sheik tivesse problemas srios de sade. Passara trs meses com aquele homem enquanto duraram as negociaes e o sheik estivera vendo sua amante francesa durante todo aquele tempo.
	Apertou os punhos e se perguntou o que estaria acontecendo. De repente se sentiu como um condenado e desejou que houvesse algum outro sheik com o qual a princesa pudesse se casar. Pela primeira vez, no queria adotar o papel do cordeiro que se sacrifica.
	Jamal inspirou profundamente. No podia fazer outra coisa alm de voltar para Tahran. Parecia que a vida lhe jogara o mal olhado e se sentiu frustrado e perturbado. Estava a ponto de deixar a nica mulher que amara para casar-se com outra que no sentia nada, e uma parte dele sentiu morrer ao pensar naquilo, mas sabia qual era seu dever.
	Tambm sabia que teria que dizer a verdade para Delaney. Era o mnimo que podia fazer. Ela merecia sua sinceridade. Era muito provvel que os meios de comunicao repercutissem sobre esse casamento, e no queria que ela se inteirasse daquela maneira.
	Levou alguns minutos para retomar o controle de si mesmo. Depois, saiu do quarto em busca de Delaney.
	No estava na cabana, assim decidiu caminhar para o lago em sua busca. O dia era quente e ensolarado.
	Jamal se deteve quando a viu. Estava sentada na plataforma, com as pernas balanando e seus ps brincavam com a gua. Uma ligeira brisa revolveu seus cabelos pelo seu rosto e ela os jogou para trs.
	Jamal se apoiou contra uma rvore e continuou observando-a. Vendo-a ali sentada, em paz e serena, Jamal pensou que era a viso mais maravilhosa que tinha visto e quis guardar aquela imagem para sempre em sua cabea.
	Sentiu que um calafrio percorria seu corpo. Amava-a com uma fora que no acreditara ser possvel e entretanto tinha que deix-la partir porque o dever o chamava.
	Obrigou-se a caminhar at ela e quando chegou ao seu lado, sussurrou seu nome. Delaney se virou e o olhou. O olhar e a expresso de seu rosto diziam tudo: no sabia por que, mas sabia que ele teria que partir.
	E pela forma em que seus lbios tremiam e como o olhava, Jamal soube o que sentia sem que ela dissesse algo. A mensagem silenciosa de seus olhos disse tudo, da mesma forma que ela sabia que a mensagem silenciosa nos seus olhos mostrava sua alma. Pela primeira vez, baixou a guarda... somente por ela.
	Ambos jogaram e ambos ganharam, mas ao mesmo tempo tinham perdido. Conseguiram mais do que  apostaram: seus coraes. E naquele momento estavam perdendo tudo, a oportunidade de estarem juntos.
	-Venha aqui -sussurrou ele e Delaney ficou de p e o abraou.
	Jamal a abraou com fora, como um homem moribundo que toma seu ltimo gole; estreitou-a contra ele e sentiu sua respirao entrecortada e o tremor de sua espinha dorsal. Mas naquele momento, a nica coisa que queria era abra-la e sujeit-la perto de seu dolorido corao.
	Ficaram ali de p durante um longo tempo. Depois, ele deu um passo para trs e a olhou, perguntando-se como sobreviveria os seguintes dias, semanas, meses e anos sem ela. Perguntou-se como uma mulher a qual apenas fazia trs semanas que conhecia, tinha mudado sua vida daquela maneira.
	Engoliu a saliva para desfazer o n que tinha na garganta.
	-O dever me chama.
	Ela assentiu enquanto o olhava.
	-H algo mais alm do problema com o sheik do pas vizinho,no ?
	Jamal a olhou nos olhos e um profundo pesar se refletiu em seu olhar.
	-Sim. Tenho que voltar para casa para me casar.
	Jamal a observou enquanto ela inspirava profundamente sem dizer nada. Suas feies refletiram dor embora soubesse que tentava ocult-la.
	- Quando partir? -perguntou ela em voz baixa.
	Jamal pensou que podia sentir como o cho se abria debaixo de seus ps quando respondeu.
	-Assim que Asalum esteja com tudo preparado.
	Ela tentou sorrir atravs das lgrimas.
	-Precisa de ajuda com a bagagem, Majestade?
	Uma pontada de dor atravessou seu corao. Aquela era a primeira vez que o chamava majestade sem imprimir um tom altivo em sua voz.
	Jamal tomou sua mo e a levou aos lbios.
	-Sentiria-me honrado dispor da sua ajuda, minha princesa -disse ele com a voz rouca pela emoo e o amor que sentia.
	Abraou-a de novo e a beijou. Sua boca era doce e a beijou como fizera tantas outras vezes, dando-lhe tudo.
	Sem interromper o beijo, tomou-a em seus braos e a levou para a rede. 	Desejava-a e a necessitava naquele mesmo instante, e ela tinha as mesmas necessidades que ele. Ambos tiraram suas roupa com rapidez e depois Jamal a jogou sobre a rede, deitada de costas; Sentando-se sobre ela, utilizou as pernas para equilibrar a rede antes de penetr-la. Esteve a ponto de explodir antes de penetr-la.
	Jamal sentiu que todo seu corpo se enchia de amor enquanto entrava dentro dela mais e mais. Todos seus pensamentos estavam concentrados nela.
	E quando ela o rodeou com as pernas e passou os braos por trs de seu pescoo, Jamal soube que ela era a nica coisa que necessitava e a nica coisa que nunca poderia ter.
	Mas suas lembranas durariam por toda sua vida.
	Comeou a mover-se dentro dela com mpeto; sua paixo tinha alcanado o grau mximo. Aquela possivelmente seria a ltima vez que fariam amor.
	Uma e outra vez, entrou e saiu do corpo de Delaney. E sob o cu azul e a luz do sol, Jamal fez amor com Delaney com uma urgncia que afligiu aos dois.
	Nas profundas curvas de sua mente, Jamal ouviu  Delaney gritar quando alcanou o clmax, no uma, nem duas, mas trs vezes antes dele mesmo explodir, deixando que as ondas de sensaes varressem seu corpo e enchendo completamente o corpo dela.
	Fincou os ps no cho para equilibrar a rede enquanto sujeitava seus quadris com fora e experimentava o mximo prazer sexual com a mulher que amava.


	Jamal e Delaney ouviram o rudo do carro de Asalum quando este estacionou junto  cabana. O servente telefonara um pouco antes para dizer que tinha chegado um avio particular para levar o prncipe de volta ao seu pas e esperava no aeroporto.
	Depois de fazerem amor na rede, entraram na cabana para tomar banho e voltaram a fazer amor. Depois, ela se sentou ao lado da cama enquanto Jamal se vestia com o traje tpico de seu pas e tentou no pensar que logo, seria outra mulher que estaria ao seu lado.
	Quando terminou de vestir-se, Delaney o ajudou a fazer a bagagem. No trocaram uma palavra sequer, pois no ficara nada para dizerem. Jamal tinha que cumprir com seu dever.
	Delaney inspirou profundamente. Sempre soube que aquele dia chegaria, mas ela contara que passaria mais uma semana com ele e aquilo j no era possvel. Tinha chegado o momento dele retornar para sua vida, sem ela, para casar-se com outra mulher.
	Delaney levantou os olhos e viu que Jamal estava olhando-a. J sabia que a despedida no seria fcil, mas naquele momento...
	-Acompanha-me at a varanda?
	---Sim.
	Delaney sentiu que formava um n na sua garganta. Cruzou a sala e ficando nas pontas dos ps, beijou-o nos lbios.
	-Cuide-se, Jamal.
	Ele estendeu a mo e afastou os cabelo de seu rosto. Um rosto que recordaria para sempre.
	-Voc tambm -disse e inspirou profundamente-. Houve vezes nas quais no tomei precaues, Delaney. Se tiver um filho meu em seu ventre, quero saber. Deixei o nmero de telefone de Asalum na mesinha de cabeceira, ele sabe como me localizar. Prometa que me ligar se tiver meu herdeiro dentro de voc.
	Delaney olhou Jamal com os olhos cheios de perguntas.
	-No importa -disse ele, brandamente-. Se estiver grvida, o filho  meu e o reconhecerei como tal. Seu filho ser nosso filho e o amarei... tanto quanto amarei voc, a me dele, sempre.
	Ao ouvir aquela declarao de amor, Delaney deixou que as lgrimas cassem por suas bochechas.
	No tivera a inteno de deix-la saber o que sentia, mas no podia partir sem que soubesse do quanto significara para ele o tempo que passaram juntos. Queria que soubesse que se apaixonara por ela.
	-Eu tambm o amo, Jamal -sussurrou ela, enquanto o abraava fortemente.
	Jamal assentiu.
	-Sim. Mas esta  uma dessas ocasies em que o amor no  suficiente -disse ele bruscamente-. O dever vem antes do amor.
	Asalum tocou a buzina, avisando-os que chegara o momento de partir. Delaney o acompanhou at a porta e ficou olhando enquanto seu servente o ajudava com a bagagem. Depois, Jamal se virou para olh-la, com uma pequena caixa que Asalum lhe dera, entre as mos.
	Voltou para varanda e lhe entregou a caixa.
	-Isto  algo que pedi a Asalum que veio com o avio.  algo que quero que tenha, Delaney. Aceite, no como um presente pelo que ocorreu entre ns, pois nunca colocaria um preo no que compartilhamos, mas  como uma demonstrao de meu imperecvel amor por voc -disse Jamal-. E quando precisar recordar o quanto a amo, simplesmente olhe para ele -acrescentou e abriu a caixa.
	Delaney conteve a respirao. Na caixa havia um anel com o maior diamante que havia visto. Mas o que chamou sua ateno, foi a inscrio que havia no interior: Minha Princesa.
	-Mas.., no posso aceit-lo.
	-Sim pode, Delaney. Pertenceu  minha me e  meu para dar  mulher que eu escolher.
	-Mas a mulher com quem se casar...
	-No. Ela  uma esposa imposta. Em meu corao, voc  a mulher que amo e com a qual me casaria se pudesse escolher.  meu e quero d-lo a voc.
	Delaney moveu a cabea ao sentir que as lgrimas nublavam seus olhos.
	- muito, Jamal.  muito especial
	-Porque voc  muito e  muito especial, Delaney. No importa quem caminhe ao meu lado, recorde que as coisas no so o que parecem. Meu corao sempre ser seu.
	Jamal inclinou a cabea e a beijou meigamente pela ltima vez, antes de voltar para carro. Antes de entrar, olhou por cima de seu ombro e se despediu com a mo.
	Delaney fez o mesmo e ficou cravada no lugar enquanto olhava como desaparecia o carro. Recordou que ele em uma ocasio disse que no gostava de deixar nada quebrado.
	Evidentemente, aquilo no inclua seu corao.
	Ficou olhando at que no pde mais ver o carro e ento deu vazo e  soltou suas lgrimas.




	Quando Delaney retornou de seu passeio, o sol j  estava se pondo.
	A cabana tinha muitas lembranas e no encontrou foras para voltar a entrar depois que Jamal partira, assim sara para caminhar. Mas tampouco encontrou paz naquilo.
	Todos os caminhos tinham alguma lembrana de Jamal.
	J sentia sua falta, tinha saudade e o desejava. Gostaria de lhe dizer muitas coisas, mas nada teria  importncia.
	Jamal escolhera o dever acima do amor.
	Delaney sentiu que seu corao se afundava, mas uma parte dela compreendia o que ocorrera e  aceitava. Sempre soube que as coisas acabariam daquela maneira pois no havia outra possvel.
	Jamal fora totalmente sincero com ela desde o comeo e no lhe dera falsas esperanas, nem promessas vazias.
	Ele era um homem de honra e uma pessoa cuja vida no lhe pertencia, de maneira que tampouco  pertenceria  ela.
	Suspirou quando chegou na varanda e recordou todas as vezes que tomaram o caf da manh ali, sentados nas escadas e desfrutando do sol. Tambm recordou o momento em que a fez rir justo antes de beij-la com paixo.
	Inspirou profundamente. Sabia que no podia ficar na cabana por mais tempo, assim depois de tomar a deciso de partir, subiu as escadas e entrou para fazer a bagagem.

Captulo Onze

	Jamal olhou pela janela do avio particular enquanto aterrissavam no aeroporto de Tahran. Em qualquer outro momento teria gostado de voltar para casa, mas aquela noite era uma exceo. Seu corao ainda chorava por Delaney.
	O que estaria fazendo? Estaria pensando nele como ele pensava nela?
	- hora de desembarcar, Majestade.
	Jamal levantou o olhar e se encontrou com a preocupada expresso de Asalum. Somente algum to prximo a ele como seu servente poderia perceber sua dor. Voltou a olhar pela janela e ficou calado durante um momento.
	-J no tenho uma obsesso, Asalum.
	- E que  agora, Majestade?
	-Depresso.
	Asalum moveu a cabea. J percebera que a perda da mulher americana teve um grande efeito sobre o prncipe.
	Jamal ficou de p lentamente. Fixou-se na limusine negra que esperava junto ao avio. Como sempre, seu pai enviara uma comitiva para lhe dar boas vindas. Jamal apertou os dentes e desceu do avio.
	Em menos de uma hora chegaram ao palcio. Depois de entrar pelas grandes portas de ferro forjado, a limusine apenas se deteve quando uma jovem e bonita mulher de cabelos escuros correu para o carro.
	-Jamal Ari!
	Jamal sorriu pela primeira vez desde que partiu da Amrica e observou sua irm detendo-se junto ao carro. Esperava ansiosa que ele saisse.
	Alguns instantes mais tarde, Jamal se encontrou abraando sua irm Johari.
	-Que bom que retornou, Jamal Ari. Tenho tantas coisas para contar! -disse ela nervosamente e o levou para a grande porta de madeira pela qual acabara de sair. Jamal moveu a cabea. Se algum poderia tir-lo do estado de nimo no qual se encontrava, aquela pessoa era Johari.

	Mais tarde, naquela noite, algum bateu na porta do quarto de Jamal.
	Retirara-se com o pretexto de estar esgotado, e seu pai aceitara esperar at o dia seguinte para falar com ele.
	Jamal escapara para seu aposento particular, na ala oeste do palcio.
	Rebakkah, levara-lhe uma bandeja com comida fazia um tempo, mas ele no tinha apetite para comer.
	Abriu a porta para encontrar-se com sua madrasta, Fatimah. Jamal no se surpreendeu de v-la ali. Como Asalum, Fatimah o conhecia e sabia que algo o preocupava. Ela entrou no aposento e se virou para olh-lo.
	Jamal viu que a preocupao se refletia em seus escuros olhos.
	-O que est acontecendo, Jamal Ari? -perguntou ela brandamente, enquanto o observava com ateno-. No  voc. Algo o preocupa e quero que me conte para que possa ajud-lo.
	Jamal se apoiou contra a porta. No pde evitar de sorrir. Quando era jovem, Fatimah sempre tivera a capacidade de ajud-lo; inclusive se tivesse que enfrentar seu pai. Nunca fora uma mulher desobediente, mas sempre dissera ao rei como se sentia a respeito de certas coisas.
	-No acredito que possa me ajudar desta vez, Fatimah -disse ele tranqilamente-. Isto  algo que tenho que solucionar sozinho.
	Fatimah o olhou durante um longo instante e assentiu, aceitando seu direito de reclamar que ela no interferisse. No momento.
	-O que quer que seja que provoca seu mal-estar, logo desaparecer. Avisei Najeen que voc retornou.
	Jamal franziu o cenho.
	-Najeen?
	A feminina risada de Fatimah encheu o aposento.
	-Sim, Najeen. Esqueceu quem ela ?
	Jamal se separou da porta. No queria ver Najeen, nem nenhuma outra mulher. A mulher que ele queria, estava a milhares de quilmetros dele.
	-Najeen no ser mais minha amante -disse ele suavemente.
	Fatimah arqueou uma sobrancelha.
	- Por que? Encontrou outra?
	-No -disse Jamal suspirando.
	No tinha vontade de dar explicaes, mas ao ver a surpresa expresso de Fatimah, soube que teria que faz-lo.
	-Enviarei Najeen de volta  sua terra. Encarregarei-me de que cuidem dela at que encontre um novo benfeitor.
	Fatimah assentiu enquanto o observava e sua preocupao cresceu. Jamal estava agindo de uma maneira muito estranha.
	-H  alguma razo para sua deciso?
	Jamal levantou o olhar e encontrou o escuro olhar de sua madrasta. E esta viu a ansiedade refletida em seus olhos. Mas tambm viu algo mais que a alarmou.
	- Que est acontecendo, Jamal Ari?
	Ele cruzou o aposento at a janela; a vista era magnfica, mas pela primeira vez, no pde apreci-la.
	-Enquanto estive na Amrica, conheci algum. Uma mulher que me afetou como nenhuma outra. Uma mulher ocidental que inicialmente me enfrentou a cada momento, uma mulher que  to orgulhosa e teimosa quanto eu -explicou Jamal-.  uma pessoa totalmente oposta a mim em certas coisas, mas exatamente igual a mim em outras. E...
	Jamal se interrompeu. Fatimah o observou do outro lado do aposento e viu como apertava os punhos; viu a forma que suas feies se endureciam e como olhava pela janela sem ver nada.
	- E o que?-animou-o a prosseguir.
	Lentamente, Jamal se virou para olh-la e ela pde ver sua atormentada expresso.
	-E algum por quem me apaixonei perdidamente.
	O corao de Fatimah se sobressaltou, surpreendida.
	-Uma mulher ocidental?
	-Sim -respondeu ele.
	Fatimah o estudou.
	-Mas nunca gostou das mulheres ocidentais, Jamal Ari. Sempre pensou que eram muito modernas, teimosas e desobedientes.
	Jamal no pde evitar de sorrir ao pensar em Delaney.  sua maneira, ela era tudo aquilo.
	-Sim. Mas mesmo assim, apaixonei-me por ela.
	Fatimah assentiu.
	-E o que vai fazer? Ama ela e vai se casar com outra?
	Jamal inspirou profundamente.
	-Devo cumprir com meu dever, e meu dever  fazer o mais conveniente para meu pas.
	- E o que far com seu corao? -perguntou ela, enquanto cruzava o aposento em direo dele. Fatimah o queria como seu prprio filho desde o dia em que o conhecera, h muitos anos atrs.
	-Seu corao est quebrado. Posso senti-lo.
	-Sim -disse ele, sem incomodar-se em negar-. Mas as decises de um bom lder no devem ser dominadas pelo corao, Fatimah. Devem ser governadas pelos interesses de seus sditos. Meus sentimentos no importam.
	Fatimah o olhou e percebeu a frieza que se apoderava dele. Sorriu tristemente. Desde que o conhecera, Jamal Ari tivera cabea e vontade prprias. Sempre se dedicara ao seu povo, igual ao seu pai, mas mesmo assim, fazia exatamente o que queria. Mas naquele momento, ele considerava o que era apropriado para seu povo, e estava disposto a se dobrar ante a sua vontade. E ao faz-lo, estava destruindo a si mesmo.
	-Em seu momento, seu pai pensou da mesma forma, mas agora mudou de opinio -disse ela, tentando faz-lo raciocinar antes que fosse muito tarde- E espero que voc abra sua mente e faa o mesmo. O amor  uma fora poderosa que pode dobrar at o mais forte.
	E sem dizer nada mais, Fatimah se virou e saiu do aposento. Fechou a porta e o deixou em silncio.

	Naquela noite Jamal teve um sonho. 
	Delaney estava com ele em sua cama e faziam amor. Sem se importar  de no ter tomado precaues, entrou uma e outra vez em seu corpo, deleitando-se na gloriosa sensao de t-la debaixo dele, de estar dentro dela. Pde ouvir seus gemidos na escurido, e inclusive chegou a sentir suas unhas cravadas em seus ombros, e soube o que mais desejava. Queria engravid-la de seu herdeiro, se por acaso j no estivesse. Pde ver seu filho, com a pele cor de cobre e os cabelos escuros e encaracolados. Seus olhos eram escuros como o chocolate.
	Em seu sonho continuou fazendo amor, sujeitando-a com firmeza entre seus braos enquanto lhe sussurrava palavras doces.

	A milhares de quilmetros de distncia, Delaney tivera o mesmo sonho e quando despertou e percebeu que estava sozinha na cama, se encolheu at as ondas da paixo se amainarem, deixando-a tremente.
	Ficou ali deitada, muito agitada para mover-se. Seu sonho parecera to real, que era como se Jamal realmente estivesse ali com ela, dentro dela e fazendo  amor com ela. Delaney inspirou profundamente e desceu da cama. No banheiro molhou o rosto com gua fria; ainda sentia o calor de seu sonho. Alegrou-se por ter voltado para seu apartamento em vez de ir para a casa de seus pais, tal e como seus irmos lhe sugeriram.
	Precisava ficar sozinha para pensar. Seus irmos aceitaram seu pedido de intimidade, mas sabia que aquilo no duraria. Levantou o olhar e se olhou no espelho, seus olhos estavam vermelhos e inchados. Depois que seus irmos partiram, no sem antes assegurar  ela que voltariam dentro de algumas semanas para ver como ela estava, jogou-se sobre a cama para chorar.
      Sabia que no podia continuar assim. Jamal partira e no voltaria, e ela tinha que continuar com sua vida. E a melhor forma de fazer isso seria comeando a trabalhar. Embora ainda restassem duas semanas para comear, queria faz-lo j. Telefonaria ao chefe de pessoal para lhe perguntar se poderia trabalhar antes do previsto. O melhor seria manter a mente ocupada para deixar de pensar em Jamal.


	Jamal desceu da cama encharcado de um suor frio. A noite estava fresca e o ar o fazia tremer. Seu sonho parecera to real... inspirou profundamente, mas no inalou o aroma de sexo, aquele aroma especial que o corpo de Delaney e o seu geravam. Fechou os olhos por um momento e recordou seu aroma enquanto visualizava em sua mente as noites que lhe dera prazer. Nunca esqueceria seu aspecto enquanto estava deitada de costas... esperando-o. Aquelas lembranas faziam com que seu corpo se endurecesse e sua respirao fosse entrecortada. Uma parte dele amaldioou seu destino, que o fizera se separar dela. Sabia que cedo ou tarde teria que partir, mas aquilo fizera com que cada minuto com ela fosse precioso. O tempo que passaram juntos no fora suficiente.
	Jamal vestiu o roupo e se dirigiu  sacada. As estrelas cobriam o cu e iluminavam brandamente o ptio do palcio, que com sua exuberante vegetao, fora seu esconderijo favorito quando era menino. Mas por mais que pensasse que se escondia bem, Asalum sempre o encontrava. Jamal sorriu ao recordar aquilo e aspirou o aroma das gardnias e dos jasmins.
	Depois sorriu ao perguntar-se o que pensaria Delaney do palcio se o visse. Uma parte dele sabia que se sentiria em casa, e pensou que com suas idias liberais, daria um sopro de ar fresco ao palcio.  obvio, escandalizaria a alguns, mas com sua ternura, se apropriaria do corao de outros. Da mesma maneira que se apropriou do dele. O simples fato de pensar nela  atormentava-o.
	Jamal se ergueu e suspirou.
	Depois de falar com seu pai na manh seguinte, partiria para o Kuwait para encontrar-se com outros membros da coligao e chegar a um acordo com o sheik de Caron. Depois, viajaria a Ranyaa, seus estados no norte da frica e ali ficaria at que os preparativos para o casamento estivessem prontos. No queria estar perto de ningum mais tempo do necessrio.
	Queria estar a ss com seu sofrimento.

Captulo Doze

	Delaney devolveu o beb a sua me.
	-Parece que est melhor, senhora Ford. J no tem febre e a infeco de seus ouvidos parece ter desaparecido.
	A mulher moveu a cabea e sorriu.
	-Obrigado, doutora Westmoreland. Foi muito boa com minha filha. Parece que gosta da senhora.
	Delaney sorriu.
	-Eu tambm. Para termos certeza, queria v-la de novo dentro de algumas semanas.
	-De acordo.
	Delaney observou a mulher enquanto partia e suspirou. Durante as trs semanas que seguia trabalhando, foi se acostumando a ser chamada de doutora Westmoreland e seu corao se apertava cada vez que ouvia. Todo o duro trabalho e a dedicao em seus estudos estavam sendo recompensados. Estava fazendo algo que gostava e que proporcionava cuidados mdicos s crianas.
	Algum atrs dela riu e Delaney se virou para encontrar-se com Tara Matthews. Tara era uma colega de trabalho que conhecera assim que comeou a trabalhar, e rapidamente ficaram amigas.
	- Do que est rindo? -perguntou Delaney.
	-De voc -respondeu sua amiga-. Realmente voc gosta das crianas, no ?
	-Claro que sim. Sou pediatra, pelo amor de Deus.
	Delaney apreciava a amizade de Tara. Ambas viviam no mesmo bloco de apartamentos e de vez em quando iam juntas de carro para o trabalho. E alguns fins de semana saam para fazer compras, para depois ficarem acordadas at tarde vendo um filme e conversando. Como tinham a mesma idade, compartilhavam os mesmos interesses. Normalmente, quando saa do trabalho e a no ser que tivesse feito planos com a Tara, Delaney partia para casa, tomava um banho e se deitava.
	E todas as noites sonhava com Jamal.
	-Delaney!
	Delaney riu ao perceber que Tara estivera tentando captar sua ateno.
	-Sinto muito. O que dizia?
	-Perguntava se tinha planos para esta noite.
	Delaney negou com a cabea.
	-No. E voc?
	-Tampouco. Gostaria de ver o novo filme de Denzel Washington?
	Delaney se retorceu interiormente e conteve a respirao. A pergunta de Tara a recordava que j assistira... com Jamal. Fechou os olhos e tentou apagar aquela lembrana.
	-Delaney, est tudo bem?
	-Sim. Estou bem -respondeu ela, abrindo os olhos de novo-. J vi, mas se realmente gostaria de assist-lo, podemos ir.
	Tara a olhou por um instante antes de falar.
	- Assistiu com ele, no ?
	- Com quem? -perguntou ela rapidamente.
	-O homem do qual no quer falar.
	Delaney ficou calada durante um momento.
	-Sim. Tem razo, no quero falar dele.
	Tara assentiu e estendeu a mo para tocar o brao de Delaney.
	-Sinto muito. No pretendia bisbilhotar. No tenho nenhum direito.
	Delaney moveu a cabea.
	-No. No tem -disse sorrindo- Sobretudo porque voc tambm tem segredos.
	Tara sorriu.
	-Estamos em paz. Algum dia, quando tiver bebido uma taa a mais, contarei tudo.
	A expresso de Delaney se tornou sria.
	-E algum dia, quando j no suportar mais a dor e necessitar de um ombro para chorar, falarei dele.
	-De acordo.	




	-No posso me casar com a princesa Raschida-disse Jamal, olhando seu pai nos olhos.
	Voltara para palcio depois de trs semanas de ausncia. Levara todo aquele tempo para tomar algumas decises que poderiam mudar sua vida para sempre. Mas no podia fazer nada; amava Delaney e era a mulher com a qual queria estar... se ela ainda o quisesse.
	O rei Yasir o olhou fixamente.
	-Percebe o que est dizendo? -perguntou-lhe, enquanto se levantava da cadeira.
	Jamal olhou ao homem que o gerara, um homem amado, respeitado e admirado por muitos; um homem que faria tudo por seu povo e que acima de tudo, acreditava na honra.
	-Sim, pai -respondeu Jamal em voz baixa-. Percebo. Pensei que poderia seguir adiante com tudo isto, mas agora sei que no. Estou apaixonado por outra pessoa e no posso me casar com a princesa.
	O rei Yasir estudou o rosto de seu filho. Quando trs semanas antes, Jamal chegou ao palcio, percebeu que algo o preocupava, e Fatimah lhe contara do que se tratava, mas ele no lhe dera ouvidos e no dera importncia ao assunto. Mas naquele momento, o rei percebeu que a expresso de seu filho era a de um homem atormentado e o preocupou o fato de que uma mulher fosse capaz de fazer algo assim a uma pessoa como Jamal.
	-A mulher  que ama  ocidental, no ?
	-Sim.
	-E est disposto a rechaar uma mulher de sua raa para se casar com outra que no  como voc, nem professa sua religio?
	Jamal levantou o queixo e se ergueu.
	-Sim. Porque embora no seja como eu, ela  parte de mim, assim como sou parte dela, pai, o amor nos uniu.
	Os olhos do rei se obscureceram.
	- Amor? E o que sabe voc do amor? -perguntou-lhe-. Est seguro de que no  sua libido que fala por voc? A luxria pode ser uma emoo to forte quanto o amor -insistiu o rei.
	Jamal se aproximou de seu pai.
	-Tenho certeza disso e admito que em princpio foi assim, mas depois tudo mudou. Tenho trinta e quatro anos e conheo a diferena entre ambas as emoes. Mantive uma relao com Najeen durante vrios anos e nunca acreditei me apaixonar por ela.
	-No se apaixonaria. Voc sabe qual  sua posio na vida. Ela era sua amante. Se um homem de seu status se apaixonasse, teria que ser pela sua esposa.
	-Mas as coisas nem sempre ocorrem assim, pai, e voc sabe bem. Sei que  o amor o que me d foras para lhe dizer isto e suplicar sua compreenso.  o amor  que me mantm na mais absoluta tristeza, tortura e depresso. E tambm  o amor que me ajudou a continuar durante este tempo.
	Jamal se interrompeu para tomar ar.
	-Cada vez que vejo Fatimah e senhor, vejo amor. E o amor  o que me faz estar disposto a abdicar de meu direito ao trono se for necessrio.
	A expresso do rosto do rei foi de atordoamento.
	- Est disposto a isso... por essa mulher?
	Jamal sabia que suas palavras feriram seu pai, mas tinha que diz-las para que entendesse o quanto Delaney significava para ele.
	-Sim, pai. Fatimah tinha razo; o amor  algo to poderoso que pode dobrar at a vontade do mais forte. Amo Delaney Westmoreland e quero que seja minha princesa.
	Seu pai o olhou e assentiu solenemente.
	-Tambm deveria saber que h uma possibilidade de Delaney ter meu filho em seu ventre -acrescentou Jamal.
	Seu pai abriu os olhos arregalando-os.
	- Sabe com segurana?
	Jamal negou com a cabea.
	-No. No soube nada dela desde que voltei da Amrica. Somente posso confiar em minha intuio masculina, mas tenho inteno de procur-la. Tambm quero pedir que se case comigo e que volte para Tahran comigo.
	-E se por acaso se negar?
	-Ento terei que convenc-la de algum jeito. Farei o que for preciso.
	O rei Yasir assentiu. Sabia o quo persuasivo podia chegar a ser seu filho quando queria.
	-Preferiria que se casasse com algum de nosso pas, Jamal, entretanto, tem razo: o amor no distingue  raas, cores e religies.
	-Tenho sua bno, pai? 
      O rei assentiu lentamente.
	-Sim, embora esteja seguro de que se casaria com ela mesmo que no a tivesse. Mas antes de aceitar a mulher que possivelmente um dia governe nosso pas com voc, preciso conhec-la.  tudo o que posso fazer.
	Jamal assentiu.
	-E  tudo o que eu lhe peo.  mais que justo, pai.
	O rei Yasir abraou seu filho em uma poderosa demonstrao de carinho, e Jamal lhe devolveu o abrao. Quando o rei se separou dele, Jamal partiu do escritrio de seu pai.


	-Delaney, est segura de que est bem? -Perguntou Tara pela terceira vez naquele dia-. No quero pression-la, mas no est com um bom aspecto.
	Delaney assentiu. Realmente no se sentia bem, mas aquela situao se prolongaria durante um tempo. Tivera um atraso e o teste de gravidez que comprara tinha confirmado que levava um filho de Jamal em seu ventre.
	Tinha decidido manter sua palavra e avis-lo, mas decidiu esperar a primeira consulta com o ginecologista, dentro de algumas semanas.
	Um beb.
	A s idia de estar grvida do filho de Jamal a fazia feliz, e se no fosse pelas nuseas matinais, estaria perfeitamente bem. Ao menos, to bem quanto poderia estar uma mulher que no deixava de pensar no homem que amava. Toda manh, lia a seo internacional do jornal em busca da notcia do casamento de Jamal. Mas at aquele momento, no tinha visto nada.
	Carinhosamente acariciou seu ventre. Jamal tinha gerado um filho em seu corpo e o amaria tanto quanto o amava.
	-Delaney?
	Delaney levantou o olhar e se encontrou com a preocupada expresso de Tara. Ainda no estava preparada para compartilhar aquela noticia com ningum.
	-Estou bem, Tara.  s que ultimamente estive um pouco ocupada, me preparando para a visita de meus irmos. Tenho que guardar foras, tanto mental como fisicamente para enfrent-los. Podem ser exaustivos.
	Tara riu.
	- Quando chegam?
	-Hoje, durante o dia. Agradeo por hospedar dois deles em seu apartamento. Os cinco no caberiam no meu de maneira nenhuma.
	-No se preocupe. Tenho vontade de conhec-los. 
      E Delaney no duvidava que seus irmos iriam querer conhec-la.
	
	Jamal se recostou no assento de seu avio particular. Ia rumo  Amrica. Asalum estava sentado ao seu lado, utilizando seus contatos em vrias empresas de segurana para averiguar o endereo de Delaney. 	Jamal pensava ir diretamente  sua casa assim que aterrissasse o avio.
	Sorriu ao pensar que voltaria a v-la. Por dentro, ansiava voltar a sujeit-la entre seus braos.
	Jogou a cabea para trs; j estavam h oito horas voando e segundo o piloto, ainda levaria mais quatro antes de chegar.
	Asalum lhe ofereceu um travesseiro.
	-Tome.
	Jamal tomou o travesseiro e o colocou atrs da cabea.
	-Obrigado, Asalum -disse ele e olhou a velha e enrugada face de seu servente-. J no estou deprimido.
	Asalum no pde ocultar seu sorriso.
	-E o que sente agora, Majestade? 
	Jamal sorriu sinceramente.
	-Felicidade.

Captulo Treze

	Tara se apoiou contra a porta do banheiro. Sua face refletia preocupao ao ouvir Delaney vomitar do outro lado da porta.
	-Delaney. Est segura de que est bem?  a segunda vez que vomita hoje.
	Delaney manteve a cabea sobre o vaso, pensando que possivelmente o faria pela terceira vez.
	-Sim, Tara, ficarei bem. Me d um minuto. Naquele momento, Delaney escutou a campainha da porta.
	Seus irmos tinham chegado!
	-Tara, por favor abra a porta. Provvelmente so meus irmos, assim pelo amor de Deus, no lhes diga que estou no banheiro, vomitando.
	Tara sorriu.
	-De acordo. Farei tudo o que puder para despist-los, mas somente se prometer ver o doutor Goldman amanh. Parece que pegou um vrus.


	Quando Delaney entrou na sala de estar, Tara estava repreendendo seus irmos por olh-la fixamente.
	-Vejo que chegaram bem -disse Delaney e moveu a cabea ao ver que eles no deixaram de olhar  sua amiga quando ela entrou na sala.
	Estavam se comportando como os tpicos machos que tinham uma irresistvel mulher diante de si.
	-Sim -respondeu Chase, sorrindo, embora no para ela.
	Naquele momento, tocou a campanhia da porta e Delaney se dirigiu para abr-la, deixando seus irmos com os olhos cravados em sua amiga.
	Quando abriu a porta, sentiu que sua respirao se cortava, que seu corao pulava e que sua cabea dava voltas.
	-Jamal!
	Jamal entrou e fechou a porta atrs de si. Sem dizer uma palavra, e sem perceber que havia mais pessoas na sala, tomou Delaney entre seus braos e a beijou. Automaticamente, Delaney se grudou a ele e lhe devolveu o beijo.
	Aquela ntima cena surpreendeu s outras cinco pessoas que havia ali, mas sobretudo a quatro delas.
	-Que demnios est acontecendo? -gritou seu irmo Der, interrompendo o beijo.
	- No!-gritou Delaney ao ver as furiosas expresses nos rostos de seus irmos.
	Levantaram-se e estavam se aproximando deles. Delaney se colocou na frente de Jamal para proteg-lo e sentiu que ele se esticava antes de deix-la  ao lado.
	Seus quatro irmos se detiveram e olharam Jamal de cima a baixo como se fosse de outro planeta, em vez de uma pessoa vestida com o tpico traje rabe.
	Da mesma maneira, Jamal olhou para eles. Imediatamente soube quem eram e o olhar que lhes direcionava, feroz e letal, avisou-os que protegeria Delaney inclusive deles se fosse preciso.
	-Posso explicar -disse Delaney rapidamente, tentando acabar com aquela situao antes que fosse muito tarde.
	-Explicar quando tivermos nos encarregado dele -disse Stone, furiosamente-. Quem demnios ? E por que a beijou?
	Ao ver como Jamal a segurava pela cintura, enfureceu-se ainda mais.
	-Tire as mos de cima dela -o ameaou.
	- Est tudo bem! -gritou Delaney-. Os quatro  esto se comportando como brbaros. Se me derem a oportunidade, explicarei tudo.
	Delaney se interrompeu quando de repente sentiu que enjoava e suas pernas fraquejavam. Apoiou-se contra Jamal.
	O feroz olhar de Jamal deixou os quatro irmos e concentrou toda sua ateno em Delaney.
	-Est tudo bem? -perguntou em um sussurro.
	-Me leve para o banheiro Jamal. Agora!
	Jamal reagiu rapidamente e tomando-a em seus braos, seguiu Tara at o banheiro, deixando os irmos Westmoreland completamente aturdidos.
	Assim que entraram, Jamal deixou Delaney de p e fechou a porta trancando-a. Naquele momento, Delaney sentiu que as foras a abandonavam e se deixou cair de joelhos no cho. Pela quarta vez naquele dia, vomitou.
	Quando terminou de esvaziar seu estmago, deu a descarga e tentou ficar de p, porm Jamal a recolheu em seus poderosos braos.
	Deixou-a sobre um banquinho e molhou uma toalha para limpar seu rosto.
      Alguns minutos mais tarde, voltou a coloc-la de p e a rodeou com o brao pela cintura enquanto ela escovava os dentes.
	Depois, voltou a sent-la sobre o banquinho e se colocou diante dela.
	-Parece que o pequeno prncipe j comeou a dar problemas -disse ele, brandamente, enquanto  passava a toalha mida pelo seu rosto.
	Delaney o olhou, ainda surpreendida por ele estar ali. Enquanto o olhava, pensou que estava ainda mais bonito, se isso fosse possvel. Seus escuros olhos a olhavam com ternura e deixou uma pequena barba que lhe dava um aspecto muito sedutor.
      Inspirou profundamente. Queria lhe fazer tantas  perguntas! Mas ento se recordou do que ele acabara de dizer.
	-O que voc disse? -perguntou ela para assegurar-se do que ouvira.
	Jamal parecia divertido, mas respondeu de todos os modos.
	-Parece que o pequeno prncipe j comeou a dar problemas -repetiu e naquela ocasio, acariciou brandamente seu ventre.
	- Como soube que estou grvida?
	Jamal sorriu amplamente.
	-Tive um pressentimento. Estive sonhando com voc todas as noites desde que nos separamos. Os sonhos eram to reais que despertava encharcado de suor e sexualmente exausto. E cada vez que fazamos  amor, eu depositava minha semente em seu ventre, o que me recordou que aquilo realmente tinha ocorrido algumas vezes na cabana.
	Delaney assentiu e olhou a mo que ele ainda tinha sobre seu ventre.
	-Por isso voc veio? Para confirmar que terei seu beb?
	Jamal levantou seu queixo.
	-No. Estou aqui porque senti saudade demais e no poderia pensar em me casar com outra mulher. Assim disse ao meu pai que a amava e que queria que fosse a mulher da minha vida.
	Delaney abriu os olhos arregalando-os.
	-E o que acontecer com a princesa com a qual ia se casar?
	Jamal se esticou.
	-Pelo visto tinha pressa para se casar porque  ficou grvida de outro homem. Foi um desonroso intento de fingir que o filho era meu.
	-E Najeen? Est bem?
	Jamal arqueou uma sobrancelha. Sabia que Delaney queria lhe fazer uma pergunta concreta.
	-No vi Najeen. A primeira noite que passei ali disse a minha madrasta que se assegurasse que ela voltaria para sua terra. J no  minha amante.
	Delaney estendeu a mo para acariciar sua bochecha e recordou que em uma ocasio lhe dissera que nunca renunciaria a sua amante.
	--Arrepende-se de ter renunciado a ela?
	Jamal a olhou nos olhos e sorriu.
	-A nica coisa que me arrependo  de ter deixado voc, Delaney. Tenho me sentido muito triste sem voc. A nica coisa que me manteve vivo foram os sonhos -disse ele com a voz rouca.
	Ela sorriu.
	-Eu tambm sonhei com voc. E quando descobri que estava grvida, alegrei-me muito.
	- H quanto tempo sabe?
	-Comecei a suspeitar na semana passada, quando vi que tive um atraso. Esta manh fiz um teste de gravidez que confirmou minhas dvidas, e tenho uma consulta para ver o mdico dentro de duas semanas.
	Delaney acariciou os lbios de Jamal com os dedos.
	- Como se sente a respeito?
	Jamal sorriu.
	-Saber que leva meu filho em seu interior me faz muito feliz, Delaney. No pretendia engravid-la, mas  relaxei com voc como nunca fizera com nenhuma outra mulher, assim acredito que inconscientemente, queria que fosse voc que me desse um herdeiro.
	Delaney sentiu que a felicidade alagava seu corpo.
	-- Jamal!
	-E voc  a mulher que quero como minha princesa, Delaney. Me diga que se casar comigo e que vir para Tahran para vivermos juntos. H muitos americanos no Kuwait, que  um pas vizinho, e se alguma vez sentir falta de sua casa, podemos vir de visita sempre que quisermos. Inclusive podemos viver aqui a metade do ano e a outra metade em meu pas. Acredito que meu pai ainda ser rei por muito tempo, o que significa que no terei que permanecer em Tahran permanentemente, ao menos durante alguns anos.
	Jamal se inclinou para ela e a beijou nos lbios.
	-Me diga que se casar comigo para que possa ser s seu.
	Delaney sabia que no podia recha-lo. O amor que sentia por ele era muito grande e sabia que queria passar o resto de sua vida com ele.
	-Sim, Jamal. Me casarei com voc.

Captulo Quatorze

      Aquela noite, Delaney deixou seus irmos aos cuidados de Tara enquanto ela e Jamal saam para jantar. Embora ele convidasse a todos, Delaney agradeceu  por declinarem o convite. Assim poderia passar toda a noite com ele.
	-Est pronta, Delaney?
	Jamal interrompeu seus pensamentos e ela o olhou carinhosamente por cima da mesa.
	Aquela tarde, depois de explicar algumas coisas aos seus irmos, Jamal saira para trocar de roupa e retornara duas horas mais tarde.
	Aquela noite se vestiu  maneira ocidental e estava absolutamente maravilhoso com aquele traje cinza escuro e gravata azul marinho. Delaney sorriu ao pensar que era um homem verdadeiramente bonito.
	Seus escuros olhos a olhavam de uma maneira muito sedutora.
	-Sim -respondeu ela-. Mas ainda  cedo. No pensou me levar diretamente para casa, no ?
	Jamal ficou de p e rodeou a mesa para ajud-la a levantar-se.
	-No. Pensei que voc gostaria de conhecer a casa que me comprei para vivermos enquanto estivermos aqui.
	Delaney arqueou uma sobrancelha.
	-Mas voc chegou hoje.
	Jamal assentiu.
	-Asalum  muito eficiente quando se trata de negcios. Ele se encarregou de tudo do avio.
	Delaney moveu a cabea. No estava segura de conseguir acostumar-se com tanta extravagncia.
	-Deve ser muito bonita.
	-. Logo ver -disse ele e lhe deu a mo para sair do restaurante-. H outra razo pela qual quero lev-la para minha casa.
	Delaney imaginou qual era aquela razo, mas queria que ele dissesse de todos os modos.
	-E qual , "majestade"?
	Jamal se inclinou para ela e lhe sussurrou algo no ouvido. Delaney se ruborizou inclusive sob seu escuro tom de pele. Depois, sorriu para ele.
	-Acredito que poderei fazer algo a respeito, meu prncipe.


	Algumas horas mais tarde, Jamal se inclinou sobre  Delaney e inalou seu aroma antes de beij-la para que despertasse.
	Retrocedeu enquanto ela abria os olhos, e quando o fez, dirigiu-lhe um sorriso.
	-Pode despertar quando quiser, majestade.
	Jamal riu e acariciou sua bochecha com um dedo.
	- hora de lev-la de volta para casa. Prometi aos seus irmos que a levaria a uma hora razovel.
	Delaney estendeu a mo e o acariciou.
	-E  obvio, que vai querer fazer amor outra vez antes de me levar para casa, no ?
	-Isso  o que tinha pensado -disse ele rindo, enquanto se colocava em cima dela-. Te amarei sempre, Delaney.
	-E eu te amarei sempre. Quem diria que as frias supostamente solitrias, foi o que nos uniu? E pensar que no princpio nem sequer nos gostvamos.
	Jamal a beijou brandamente nos lbios.
	-J sabe o que dizem, no ? -perguntou ele enquanto deslizava a lngua pelo seu pescoo.
	-No -sussurrou Delaney-, O que  que dizem?
	Jamal sorriu.
	-As coisas nem sempre so o que parecem -disse ele e voltou a beij-la-. Mas o amor que compartilhamos  e ser o que ns queremos.

Eplogo


	Seis semanas mais tarde.
	- Outra cerimnia de casamento? -perguntou Delaney quando conseguiram alguns instantes a ss no ptio do palcio.
	Ao seu redor; o calor e a umidade do deserto os envolvia, mas a fragrncia dos jasmins e das gardnias permanecia no ambiente, dando-lhe uma nota sedutora e ertica.
	-J vamos para a quarta.
	A primeira cerimnia se celebrou no lindo jardim dos pais de Delaney, em Atlanta, fazia trs semanas. A segunda tivera lugar na semana anterior, quando chegaram ao palcio. Compareceram o rei e a rainha e outros sditos com suas esposas. A terceira fora na praa maior da cidade e os habitantes de Tahran a organizara para dar as boas-vindas ao prncipe e a sua princesa.
	Jamal sorriu.
	-Mas pense que nos divertiremos nas noites de casamento que temos pela frente.
	Delaney estendeu os braos e rodeou o pescoo de seu marido, e o beijou.
	-Isso  certo -sussurrou ela.
	Depois, virou-se para que suas costas se apertasse contra o torso de Jamal enquanto este acariciava seu ventre. Pensou que no poderia ser mais feliz.
	Na semana anterior, assim que chegaram, imediatamente recebeu um convite para falar com o pai de Jamal, a ss. No princpio, o rei se mostrou feroz, ditatorial e a interrogara sem descanso a respeito de suas convices e crenas.
	Ela respondera todas suas perguntas com sinceridade e respeito, e ao final, o rei Yasir lhe dissera que recordava a sua esposa, rainha Fatimah e que sabia que no teria nenhum problema em ser compreendida, respeitada e amada por todos. Depois, abraou-a e lhe deu as boas-vindas  famlia.
	As irms de Jamal, Arielle e Johari, tambm a fizeram sentir-se como em sua casa ao lhe dizer que no a consideravam como a esposa de seu irmo, mas sim como uma irm. Mas fora Fatimah que ganhara o corao de Delaney para sempre ao conversar com ela em particular e compartilhar certas coisas que tivera que enfrentar quando ela chegou pela primeira vez ao palcio, e como tentara mudar algumas de maneira sutil.
	Inclusive sugerira a Delaney que pensasse na possibilidade de utilizar seus conhecimentos para informar s mulheres de Tahran a respeito das enfermidades infantis e o que poderiam fazer para preven-las. Alm disso, disse-lhe que poderia exercer sua profisso no hospital que ambas convenceriam o rei para que o construsse.
	- Preparada para voltar, princesa? -perguntou Jamal, enquanto lhe dava um beijo na fronte.
	-Temos que assistir a outro jantar, esta noite? -perguntou ela, virando-se para olh-lo.
	Sentiu-se imediatamente aprisionada por seu escuro olhar e comeou a sentir que seu corpo se esquentava. Perguntou-se se chegaria o dia em que no se sentisse sexualmente atrada por seu marido.
	-No. De fato pensei que poderamos passar uma noite tranqila em nosso aposento -disse ele.
	-Isso soa maravilhoso, Jamal.
	Ultimamente no puderam passar muito tempo a ss, exceto pelas noites quando chegava a hora de deitarem-se. Delaney desfrutara das noites que fizeram amor e das que a recordara uma e outra vez o quanto significava para ele e o quanto a amava. Delaney dormia entre seus braos e ele a despertava cada manh com um beijo.
	-Todo mundo deveria apaixonar-se, no  Jamal?
	Este sorriu.
	-Sim. Mas aposto que nunca convencer seus irmos disso.
	Delaney assentiu porque sabia que era verdade.
	-Mas se alegram por ns.
	Naquela noite, depois de fazer amor com sua esposa Jamal desceu da cama enquanto ela dormia. Colocou o roupo e saiu do aposento. Desceu pelas escadas e saiu ao ptio, em busca de um lugar particular onde pudesse agradecer.
	Meia hora mais tarde, enquanto voltava para seu aposento, encontrou-se com Asalum, espreitando entre as sombras. Nunca baixava a guarda e sempre estava alerta para proteger seu prncipe.
	Asalum estudou as feies de Jamal.
	- Est tudo bem, Majestade?
	Jamal assentiu.
	-Sim, meu amigo e companheiro. Tudo est bem.
	O silncio se fez entre eles durante um instante.
	- Sabe o que sinto agora, Asalum? -perguntou finalmente Jamal.
	Um sorriso se desenhou nos lbios de Asalum, tinha uma idia aproximada, mas perguntou de qualquer forma.
	-O que sente?
	De repente, ele comeou a rir. Era uma risada carregada de alegria e felicidade que atravessou o silncio da noite e ressonou no ptio.
	E quando a risada diminuiu, Jamal falou.
	-Jbilo.

* FIM*
 
